Fernando Prass fala sobre administração e esportes na FEA

Brenda Fernandes da Silva

 

O ex-jogador de futebol Fernando Prass, que atualmente trabalha com administração, gestão estratégica de esportes e gestão de clubes empresa, defendeu a importância do estudo para os jogadores de futebol. Apesar de serem notáveis em sua performance como esportistas, muitos deles são discriminados pela falta de aprendizado, devido à sua origem humilde. Segundo Prass, a falta de conhecimento em relação a assuntos como economia, política e administração do próprio dinheiro pode trazer uma série de prejuízos aos jogadores. Por isso, o ex-goleiro acredita que é necessário compreender o lado deles e incentivá-los a estudar.

 

Fernando Prasss foi o convidado do FEA Sports Business para um bate-papo a respeito de negócios e gestão na área de esportes. O evento foi realizado no dia 20 de junho, no auditório da FEAUSP, de forma presencial, e contou com três mediadores da entidade para as perguntas relacionadas ao tema.

 

Fernando Prass, que atuou como goleiro em times notáveis do Brasil como o Palmeiras – onde ficou mais tempo e conquistou dois campeonatos brasileiros e uma copa do Brasil –, Vasco, Ceará e Grêmio, contou aos espectadores que resolveu cursar administração por volta de 2018, três anos antes de se aposentar. Ele queria seguir uma carreira diferente (não queria ser técnico), mas que ao mesmo tempo tivesse a ver com esportes. Resolveu então trilhar o caminho da gestão, e ingressou na FAM, Faculdade das Américas – que inclusive tem vínculo com o Palmeiras, onde estagiou.

 

Segundo Prass, a diretoria e a gestão possuem maior poder na hora de mudar o rumo de um time em mau momento. Ele comentou, em várias perguntas, os casos de Cruzeiro e Botafogo, atualmente os dois times mais notórios na tentativa de voltar aos antigos dias de glória. Enquanto o Cruzeiro possui apenas uma parte vendida, o Botafogo foi totalmente; o primeiro tenta uma metodologia de corte de gastos, o segundo orienta-se pelo investimento. Ele também comentou que o próprio Palmeiras, maior vencedor da atualidade, passou por muitos processos econômicos e gestacionais desde 2012 (após rebaixamento) e que seu sucesso se deve a isso – principalmente processos de contratação, onde muitos clubes se equivocam por não entender de administração ou são desorganizados em relação a isso.

 

Outro assunto muito comentado por Prass foi a SAF (Sociedade Anônima de Futebol), modelo onde um clube passa a ser gerido como uma empresa, e a ter um dono (modelo inglês) que administra processos de contratação, salários e produtos. É o caso da maioria dos times prestigiados na Europa, e Prass considera um bom avanço no futebol que infelizmente não é bem aceito no Brasil. O Botafogo, porém – um dos poucos casos de SAF – tem tido melhoras, e Prass defendeu que essa transformação em empresa é a melhor (salvo exceções) para mudar a mentalidade da gestão, que passa a ser muito mais especializada nessa área. "Alguns dizem que o futebol é um negócio como qualquer outro, outros que futebol não é um negócio. Os dois estão certos e os dois estão errados ao mesmo tempo, o futebol hoje pode ser um negócio, só que tem suas particularidades, coisas muito relacionadas só ao futebol. A cobrança da torcida, o amor da torcida, é diferente para uma empresa”, analisou o ex-goleiro.

 

 

Data do Conteúdo: 
Sexta-feira, 24 Junho, 2022

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