Eduardo Haddad assume a chefia do EAE


No período em que ficará na chefia do Departamento de Economia (EAE), Eduardo Haddad terá um grande desafio: lidar com a redução do corpo docente. Aos 46 anos, o economista assume o cargo, após a aposentadoria de Hélio Nogueira da Cruz, um reflexo das mudanças estruturais que ocorrem no Brasil e na Universidade. Desde fevereiro de 2015, o EAE perdeu 25 professores - sendo 4 pedidos de demissão e os demais, aposentadorias. “Estamos falando da perda de 25 professores. Isso tem uma implicação muito forte para as nossas atividades porque, apesar de já terem ocorrido vários ciclos de contratação e perda de quadro no departamento, essa é a primeira vez que perdemos um conjunto muito grande de professores em tão pouco tempo”. 
Nascido em Belo Horizonte, Eduardo Haddad cursou a graduação em Ciências Econômicas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Após se formar, obteve o PhD na Universidade de Illinois (EUA) e fez o pós-doutorado na Universidade de Oxford (Reino Unido). Quando voltou da Inglaterra, recebeu um convite do professor Juarez Rizzieri, na época presidente da Fipe, para ser professor visitante do departamento. Em 2007 já era professor titular da FEAUSP. Com um envolvimento institucional muito forte, criou, junto com o professor Carlos Roberto Azzoni, o grupo de pesquisa Nereus, voltado para a economia regional e urbana, sua principal linha de pesquisa.
A saída de professores que, segundo Haddad, “construíram o departamento nos últimos 40 anos”, foi sentida pela geração que ficou, na qual o atual chefe está incluso: “Isso gera um sentimento de orfandade por parte dos que ficam, como se nós perdêssemos a referência, aquele porto seguro dos mais experientes.” Apesar de alguns continuarem no departamento pelo programa de Professor Sênior, existe uma ansiedade geral com a situação. Em sua curta gestão, que vai até julho de 2018, o objetivo não é resolver o problema, mas criar ferramentas para que as gestões futuras consigam lidar com este cenário. 
Utilizando sua experiência na área de pesquisa, Eduardo Haddad pretende fazer uma gestão baseada em informação. Para ele, um exercício de autoconhecimento é necessário: “Através de avaliações, buscaremos conhecer os pontos fortes de cada pessoa, tentando encontrar soluções para as eventuais carências”. Em um contexto de corpo docente restrito, Haddad acredita que é preciso otimizar as habilidades de cada um para manter a qualidade e opções para os alunos, mas sem sobrecarregar os professores, que além da graduação, também precisam se dedicar à pesquisa. “O grande desafio é descobrir como usar os recursos disponíveis, dada a situação. Na minha gestão, vamos pensar em como resolver isso e continuar tendo um departamento de excelência”, conclui. 

Gente da FEA - junho de 2017
Autora: Beatriz Arruda
 

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 7 Junho, 2017

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