Comércio internacional é tema de palestra na FEA

CEO do World Trade Center de New Orleans diz que Brasil e China têm vantagens em relação a Estados Unidos e Europa

Renata Hirota

International TradeDominic Knoll, CEO do World Trade Center (WTC) de New Orleans, Louisianna, falou sobre a situação econômica da Europa e dos Estados Unidos e sobre as relações comerciais com o Brasil, em palestra na FEA no dia 11 de outubro. O professor Simão Davi Silber, da FEA, também falou sobre a economia no Brasil.

Knoll começou com uma breve introdução sobre Louisianna. Apesar do estado ser apenas o 25º mais populoso dos Estados Unidos, ele ocupa a 9ª posição em exportações, sendo que o principal destino é a China, que representa 6,5 bilhões de dólares do rendimento com exportações. O Brasil aparece em 9º, com 1,4 bilhões de dólares. "Nós temos algumas indústrias que são extremamente competitivas, como agricultura e petróleo", diz Knoll. Ele também destaca a questão do transporte como um ponto importante para o comércio. "O complexo portuário do Mississipi possibilita uma forma muito barata de transportar mercadorias", explica.

No Brasil

Os principais produtos que o Brasil exporta para Louisianna são aço e café. "Hoje, commodities são mais importantes do que bens industrializados, em termos de exportação", diz o professor Silber. "O Brasil é muito competitivo no setor mineral e de agronegócios".

A exportação de commodities, ainda segundo o professor, é a principal consequência de uma política econômica de ajuste à situação deficitária. "Ter déficit significa que temos pouca reserva comparado a investimentos. Então, para ajustar a esse perfil de reserva baixa, não podemos ter uma taxa de câmbio muito alta", explica. "O preço das commodities dobrou na última década. Somos capazes de oferecê-las porque investimos em engenharia genética, agricultura. Mas tudo conspira contra a indústria: altos impostos, falta de infraestrutura, etc. Mas é uma questão política, e não puramente econômica."

O professor apontou os muitos desafios que temos pela frente, mas se mostrou otimista. "A longo prazo, as expectativas são boas. Mas os problemas só serão resolvidos quando se tornarem grandes problemas. Estrategicamente, não nos preparamos para enfrentá-los." Ele ainda comentou que o Brasil tem uma vantagem em relação ao país da vez, a China, à medida em que possui um mercado interno forte. "Na China, a oferta vem antes da demanda. Eles têm aeroportos sem passageiros. É um grande problema, e nós não temos esse tipo de desequilíbrio." De acordo com ele, se o país conseguir se organizar politicamente para discutir os problemas e modificar políticas econômicas, terá muitas vantagens.

A crise econômica

Knoll comentou que a crise é um assunto a ser tratado com urgência, e se mostrou preocupado com a situação da Europa e dos Estados Unidos. "Há muita incerteza. As pessoas tentam consertar as coisas mas não possuem as ferramentas certas para isso." Ele diz não ver possibilidades de cooperação". Além disso, acrescenta que a busca de soluções deve ser feita de forma mais rápida. "Não dá para decidir em novembro algo que está acontecendo agora. Será muito difícil encontrar uma solução", diz, mencionando a reunião do G20.

De acordo com ele, os países que se adaptarem melhor a adversidades se sairão melhor, e não necessariamente os que tiverem a maior economia. "É preciso estar preparado. Não é questão de ser grande ou pequeno, aqueles que se adaptarem melhor a um novo ambiente e não teimarem em usar métodos antigos para resolver problemas novos é que vão sobreviver. Acredito que Brasil e a China têm vantagens em relação aos Estados Unidos e União Europeia, mas não vejo isso como uma ameaça, e sim como uma oportunidade", concluiu.


Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 24 Outubro, 2011

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