Análise & Opinião - Como anda a economia brasileira?

Professor Simão Davi Silber fala sobre o desempenho da economia brasileira

Os números sobre o desempenho da economia brasileira em 2013 são bons indicadores dos desequilíbrios macroeconômicos que existem no país, colocando-o entre os mais vulneráveis do mundo a qualquer turbulência que possa ocorrer no cenário externo ou doméstico. A inflação do ano passado foi elevada (5,91%), mesmo com o enorme artificialismo do represamento dos preços dos combustíveis, eletricidade e tarifa do transporte urbano. Esta é uma indicação clara de que há excesso de demanda e que a política monetária e fiscal tem sido incapaz de garantir uma inflação que convirja para a meta central no horizonte dos próximos anos. O crescimento do PIB foi decepcionante, atingindo modestos 2,3% e a taxa de investimento recuou para 18% do PIB. Para 2014 o crescimento previsto é de 1,7% e na eventualidade de racionamento de energia poderá ser nulo. As contas externas estão piorando inexoravelmente desde 2008. Em 2013, o déficit do balanço de pagamentos em transações correntes foi de US$ 81,4 bilhões. A poupança interna caiu para 13,9% do PIB e dado o investimento interno de 18% do PIB, foi necessária uma poupança externa de 4,1% do PIB, extremamente elevada para o padrão histórico da economia brasileira. A desaceleração do crescimento chinês que está se concretizando neste momento e a consequente queda no preço das commodities exportadas, além do aumento da importação de petróleo e derivados devido à incapacidade da Petrobras acompanhar o ritmo de crescimento da demanda interna, apontam para déficits externos da ordem de US$ 75 bilhões em 2014 e 2015. Ou seja, o país ficou mais vulnerável e passou a depender cada vez mais dos humores do mercado internacional para se financiar. Para completar o resultado da "nova matriz macroeconômica" deve-se destacar a piora das contas públicas. No ano de 2013, mesmo utilizando a "contabilidade criativa", o superávit primário foi de 1,9%, insuficiente para pagar as despesas com juros, que atingiram 5,2% do PIB. Ao manipular números, o governo federal perdeu algo muito precioso para qualquer país: credibilidade. Parâmetros relevantes como dívida líquida do governo e superávit primário divulgado oficialmente não podem mais ser utilizados, tamanhas as arbitrariedades contábeis introduzidas nos demonstrativos. Esta deterioração macroeconômica se refletiu no risco país: há dois anos o risco Brasil era idêntico ao do México; hoje é o dobro.


Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 11 Abril, 2014

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