Tese de Doutorado estuda a desigualdade de gênero no mercado de trabalho

Mesmo com um nível de qualificação comparativamente maior que os homens, as mulheres ainda tem menos oportunidades de crescimento na carreira e uma média salarial menor. Questionar qual o papel desempenhado pelos profissionais da área de Recursos Humanos (RH) na tomada de decisão dentro das empresas foi a proposta de Angela Cristina Lucas em sua tese de doutorado, Justiça Organizacional de Gênero nas Empresas: os sentidos atribuídos pelos profissionais de recursos humanos. “Durante os anos, eu fui percebendo que muitas das minhas amigas que estão no mercado de trabalho em posições de destaque, após o nascimento do primeiro filho não conseguiam voltar a ter mesma competitividade que os homens. Foi daí que surgiu a ideia de estudar Gestão Estratégica de RH e Justiça Organizacional”, explicou.

Para isso, Angela procurou situar historicamente a evolução do processo de independência econômica das mulheres na sociedade, buscando compreender o papel da área de RH dessas organizações para incluir as mulheres num ambiente de trabalho mais justo e igualitário. “Ainda existe uma mentalidade geral de que, depois que a mulher tem um filho, ela já não é tão produtiva para a empresa”, explicou. No Brasil, as mulheres apresentam maior média de anos de estudo em comparação com os homens, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (2011). No entanto, quando são analisados os dados sobre a distribuição hierárquica nas empresas, verifica-se que há uma sub-representação das mulheres nos cargos mais altos. “Em geral, são atribuídas às mulheres características de mãe e de responsáveis pela casa, o que impacta de alguma forma seu trabalho, suas escolhas profissionais e consequentemente progressão de carreira e remuneração”, explicou.

A pesquisadora também destacou que muitas vezes a decisão final, tanto para contratações como para aumentos de salários e promoções, não é do RH e sim do gestor. Assim, os gestores foram identificados como principal obstáculo à Justiça Organizacional de Gênero. “A discriminação é muito sutil e o ambiente de trabalho é muitas vezes hostil à mulher. São ainda comuns as piadas sexistas, o assédio e os comportamentos masculinos inapropriados”, explicou a pesquisadora.

Hoje em dia, algumas ações estão sendo implementadas visando diminuir a desigualdade de gênero nas empresas como por exemplo o coaching e o mentoring para mulheres, a adoção de horários flexíveis, e algumas outras ações embrionárias, como inclusão das questões relacionadas à mulher no ambiente de trabalho em programas de conscientização dos funcionários e em programas de desenvolvimento das lideranças, em forma de palestras.

A tese foi defendida no dia  07 de outubro de 2015, sob orientação do professor Andre Luiz Fischer. 

 

Texto: Isabelle dal Maso

Foto: arquivo pessoal

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 30 Junho, 2016

Departamento:

Sugira uma notícia