Semana da Gestão no Mercado Esportivo dá voz aos players de um dos setores mais dinâmicos da nossa economia

Por Breno Queiroz

 

Os atletas e amantes do esporte tiveram, graças à Atlética da FEAUSP e à Semana da Gestão no Mercado Esportivo, uma grande chance de vislumbrar a realidade de um dos mais pulsantes setores da economia nacional. Por três dias, começando na terça-feira passada (15/10), seguiu-se um roteiro de palestras e conversas, com quem entende do assunto: desde marketing e mídia, até iniciativas inovadoras, que aliam o esporte como conhecemos, com as novas tecnologias da informação. 

Marketing Esportivo

A história humana com o esporte é antiga, mas ainda guarda uma essência, que apareceu muito na programação da Semana. Na cultura clássica, a valorização e idealização dos corpos eram marcantes, uma tentativa de se aproximar dos deuses. Nas olimpíadas gregas, os atletas competiam nus e cobertos de óleo. 

Hoje, ainda vemos o esporte como um teste para a capacidade humana. Os atletas que desafiam seus limites são vistos como humanos sobre-humanos, e as marcas têm muito interesse de atrelar seus nomes com esses que têm características dos deuses. Por isso, a maior parte do mercado esportivo é movimentada por grandes agências de marketing e gestão de imagem.

É o caso da TFW Marketing Esportivo, primeira a falar na programação. Essa empresa tem parcerias grandes em seu portfólio, mas é notadamente reconhecida por estar a frente da equipe de futsal Magnus de Sorocaba. Essa foi a equipe mais jovem a conquistar todos os títulos de futsal mundial, e conta com um atleta cujo nome ultrapassa as quatro linhas: Alessandro Rosa Vieira, o Falcão.

O mercado é amplo e absorve jovens recém-formados. Foi o que aconteceu com Victor Szepilovski e Giovana Aleixo. Ele fez administração na FGV (Faculdade Getúlio Vargas); ela, representação pública na Faculdade Cásper Líbero. E hoje, ambos trabalham na Octagon, empresa norte-americana de consultoria esportiva.

Nike Joy Ride

Para a FEA, eles vieram contar de cases específicos que vivenciaram na Octagon. Giovana liderou a construção do evento de lançamento de um tênis da Nike, o Nike Joy Ride. Segunda ela, o briefing da marca trazia uma pesquisa afirmando que: “45% dos jovens brasileiros, entre 16 e 24 anos, abandonam o esporte, principalmente depois de sair da escola ou da faculdade”. Para esse público, a corrida é vista como um esporte de alta performance, regrado e pouco atrativo, então, o evento foi todo pensado para quebrar com essa expectativa, e mostrar a corrida como algo divertido e desapegado.

Saindo da praça da República no centro de São Paulo, passando pelo Minhocão, os 3,8 km aguardavam os convidados, que foram cuidadosamente selecionados para evitar corredores profissionais. A linha de chegada era o Memorial da América Latina, onde acontecia o Coala Festival, festival da nova música popular brasileira, também patrocinado pela marca. Os 500 primeiros ganhavam entradas para o festival e um kit com diversos produtos da Nike.

NBA House

Victor teve experiência com um dos experimentos mais bem-sucedidos da liga americana de basquete, NBA, no mercado brasileiro. Perdendo apenas para a China, o Brasil representa o segundo maior consumidor dos jogos da NBA fora dos Estados Unidos, o que gerou interesse para a realização da NBA House. 

A primeira edição aconteceu no casarão branco da Av. Paulista, onde passavam os jogos do final da temporada e funcionava também um museu interativo da liga, com camisetas, fotos, tênis e diversas outras experiências para os fãs. 

A procura foi grande, e o tamanho do espaço cresceu conforme cada edição. Na terceira, eles preparam algo ainda maior: uma tenta de 3 mil metros quadrados dentro do Shopping Eldorado. Além de poder assistir os jogos, a diversidade de atrações era ainda maior, com bar, exibições e até jogos de realidade virtual. Victor não quis adiantar o que está sendo feito para a próxima temporada, mesmo com insistência do público que assistia a palestra.

Mulheres no esporte

A última exposição no roteiro da Semana foi feita com presença feminina. As convidadas Alê Xavier do Desimpedidos, canal no Youtube especializado em futebol com quase oito milhões de inscritos; Luana Maluf do canal 1x0 Feminino, com blog na ESPN; e Mari Spinelli, repórter da ESPN; chegaram com muita tranquilidade para contar suas histórias fazendo cobertura esportiva. 

Entre encontros com a melhor jogadora do futebol feminino mundial, Marta, e jogos beneficentes com ícones nacionais como Ronaldinho Gaúcho, elas foram muito com muita sinceridade falando dos desafios de ser mulher em lugares predominantemente masculinos. 

Mari contou que já sabia de algumas coisas porque sua mãe também era repórter esportiva. Antigamente por exemplo, a imprensa podia acompanhar o jogador até dentro do vestiário, o que rendia sonoras incríveis, gravadas no calor do momento. Uma repórter de campo, por ser mulher, não conseguia esse acesso, e tinha que fazer as entrevistas depois que todo mundo saia de cabeça fria do banho e aconselhado por algum assessor de imprensa. 

Luana falou que as coisas são complexas no começo. “Até porque o jogador de futebol acha que o mundo é muito fácil. Você chega para trabalhar, eles olham você e falam: ‘quero essa aqui’. Eles não estão acostumados a ouvir não”. Mas que com o tempo, e com persistência se adquire respeito.   

Alê falou da relação pela internet, já que ela entrou em um canal com o público já consolidado, de menor idade, e fortemente misógino. Ela diz que foi aprendendo a bloquear e ignorar, entendendo que as críticas não têm fundamento. Afinal, segundo ela, todas as apostas dos grandes financiadores estão no futebol feminino, e se tem quem fala mal, tem também muita gente se interessando e virando fã das mulheres no esporte.    

 

 

 

        

Data do Conteúdo: 
Quinta-feira, 24 Outubro, 2019

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