Semana da Diversidade promove debate sobre aborto e cultura do estupro

Consenso do movimento feminista e um dos temas de maior relevância para discussões sobre saúde pública e segurança, a relação entre a cultura do estupro e o aborto é ainda uma discussão polêmica. Pensando em trazer essa questão para debate, ainda no primeiro semestre, e apresentar o assunto para calouros e calouras, o Centro Acadêmico Visconde de Cairu, em parceria com o coletivo feminista Histéricas, realizou no dia 3 de maio, uma mesa de debates com a presença das militantes da Marcha Mundial das Mulheres, Carla Vitória e Helena Zelic. O evento faz parte da 4˚ edição da semana da diversidade, que promove palestras e debates em parceria com os coletivos que atuam na faculdade, para por em questão problemas enfrentados pelos grupos de baixa representatividade. “Essa primeira mesa veio de uma ideia do coletivo Histéricas. Acho que é muito importante debater o aborto e o estupro, porque estamos na Universidade, e esse é o momento de se politizar um pouco. Existe hoje uma necessidade de avançar no debate político do país”, explicou Lígia Toneto, membro do coletivo e do Centro Acadêmico.

Um dos principais tópicos discutidos durante o evento foi como o patriarcado contribui para a formação de uma cultura que tenta de diferentes formas controlar o corpo das mulheres, “o patriarcado não é só individual, ele está presente em nossas relações pessoais e nas relações institucionais. Existe, por exemplo, a ideia de que tudo o que é associado ao masculino é valorizado”, explicou Carla Vitória. Para ela, a ideia é que os homens têm uma sexualidade que é negada às mulheres, “as mulheres são colocadas no espaço do privado, na família. Dentro desse sistema patriarcal, nossa sexualidade está sempre a serviço do desejo do homem”, explicou.

Ainda sobre a questão da cultura do estupro, Carla destacou o papel da colonização para a formação desse imaginário, “nos países que sofreram colonização, essa cultura do estupro tem sintomas muito mais fortes. O Brasil por exemplo, foi fundado pelo estupro das mulheres negras e das índias”, pontuou. As consequências dessa cultura são perceptíveis em grandes e pequenos assédios que mulheres sofrem todos os dias, “nada dá direito a um homem de mexer com uma mulher na rua. A cultura do estupro também tem muito a ver com a roupa que usamos, porque se supõe que ao usarmos roupas curtas estamos ‘pedindo’”, completou.

Cultura de estupro e aborto são temas que estão intimamente ligados e que dizem respeito ao direito da mulher sobre seu próprio corpo, além de serem uma questão de saúde pública, “em todos os países desenvolvidos, o aborto é legal. É um absurdo que parlamentares religiosos sejam aqueles que decidam nossos direitos”, concluiu.

Matéria: Isabelle Dal Maso

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 6 Maio, 2016

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