Professor Kanczuk fala sobre produtividade na Aula Magna da FEA

Por Cacilda Luna

Fotos: Ismael do Rosário

 

O diretor de Política Econômica do Banco Central e professor titular de Economia da FEAUSP, Fábio Kanczuk, usou o filme sul-coreano “Parasita”, vencedor do Oscar 2020, para ilustrar a Aula Magna da Faculdade, realizada no último dia 2 de março, que versou sobre o tema: “O Problema da Produtividade”. No longa-metragem, personagens que representam uma família de baixa renda da Coreia do Sul sabem falar inglês fluentemente e possuem habilidade para lidar com as novas tecnologias. Segundo Kanczuk, a qualidade da educação é um dos principais fatores, junto com a saúde, que explicam o motivo do país asiático ter superado o Brasil, nas últimas décadas, no nível de riqueza.

 

PhD em Economia pela Universidade da Califórnia, com pós-doutorado em Harvard, Fábio Kanczuk é formado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Foi secretário de Política Econômica no governo Michel Temer e representante do Brasil junto ao Banco Mundial. Em novembro passado, foi nomeado pelo governo diretor de Política Econômica do Banco Central.

 

Ao iniciar sua palestra aos jovens calouros, Kanczuk disse que colocaria como “jogo” para a plateia a seguinte questão: “Por que o Brasil não é mais rico, o que ele fez de errado até agora, e o que a gente ainda pode fazer para aumentar a prosperidade e a igualdade”?  Segundo o docente, por mais que o país adquira tecnologia, sem “capital humano” nunca alcançaremos o patamar da Coreia do Sul e muito menos dos Estados Unidos, que representam a “fronteira” em termos de riqueza.

 

“A gente pensa no americano como a fronteira da produtividade, o mais produtivo que existe nos últimos 70 anos. O que eu tenho de tão diferente de um americano? Por que a minha produtividade é ¼ da dele? “, questionou.

 

Segundo o professor Fábio Kanczuk, existem vários trabalhos acadêmicos avançando em possíveis direções, que tentam explicar porque o Brasil não acompanhou a Coreia do Sul em termos de desenvolvimento.  A hipótese que mais funciona, na sua concepção, é a do investimento no “capital humano”, com melhoria da educação e da saúde.

 

“São fatores como a probabilidade de não morrer até os 5 anos, número de anos de escola, estudo ajustado pela qualidade etc. O Banco Mundial compara os dados entre todos os países, mostrando porque a educação e a saúde fazem muita diferença. Você pode comparar os países e fazer um contrafactual de como teria sido o desenvolvimento do seu país se tivesse um nível de educação, de capital humano diferente. Por exemplo, se o Brasil tivesse a mesma educação que Singapura, teria 57% de ganho de PIB per capita”, exemplificou Fábio Kanczuk.

 

O diretor de Política Econômica do Banco Central fez uma simulação com várias políticas, que juntas poderiam ajudar o Brasil a atingir um melhor índice de produtividade. Ele citou como exemplos investir em educação e saúde, eliminar as distorções na política industrial, criar um sistema de imposto eficiente com redistribuição acoplada, promover uma regulação eficiente da infraestrutura e abrir a economia.

 

Mas ao final, questionou a plateia se isso teria sido suficiente para o país chegar ao nível de riqueza dos EUA. Respondeu que não, que no máximo alcançaria 2/3, um patamar próximo à Coreia. E concluiu: “Os outros 30% ficam para vocês pensarem e descobrirem o que a gente tem que fazer para chegar lá e conseguir convergir para os Estados Unidos”.  

 

 

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 3 Março, 2020

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