FEA Social combina arte e empreendedorismo dentro da Universidade

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A Universidade é um espaço de debate e troca de ideias, e também de expressão cultural – e aí também entra a expressão artística. Apesar disso, na correria do dia a dia, acaba se esquecendo da arte também no ambiente universitário. Para resgatar essa parte da cultura popular, a FEA Social, entidade da FEAUSP que busca um maior impacto social na sociedade, organizou o Arte Ataque, no dia último dia 13. O evento trouxe artistas de diversas regiões de São Paulo, em atividades que valorizaram todos os tipos de arte.

Com o lema “Quando você desistiu de ser um artista?”, o Arte Ataque seguiu três principais eixos: a periferia, a saúde mental e o empreendedorismo. O resultado foi uma Feira de Artes, contando com diversos artistas independentes, além de uma Oficina de Grafite com a artista Amanda Favali, uma Oficina de Dança com a Poli Dance (grupo de dança de alunos da Escola Politécnica da USP) e a quinta edição do Slam USPerifa, uma competição de poesia falada, em parceria com a USPerifa e o Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus (FEAUSP).

Empreendedorismo e arte combinam, sim!

Além de trazer a arte para dentro da faculdade, a FEA Social respondeu à pergunta: dá pra empreender com arte? Apesar de parecer negligenciada a um primeiro momento, os negócios culturais e artísticos podem ser modelos de sucesso no mercado, valorizando tanto a expressão artística como o retorno financeiro. Para ilustrar isso, a FEA Social trouxe três casos de sucesso no ramo do empreendedorismo artístico.

O Festival Path é um desses exemplos. Criado por Rafael Vettori em 2013, o evento nasceu após a experiência dos fundadores no SXSW (South by Southwest), um festival americano que reúne música, cinema e tecnologia. Foi a partir disso que Rafael percebeu que não havia espaço em São Paulo para a estimulação da economia criativa, e foi com esse objetivo que surge o Path. Combinando inovação e criatividade, o festival reúne palestras, shows, feiras e outras atrações em áreas como tecnologia, educação, empreendedorismo, música e audiovisual. Desde então, foram seis edições, a última, ainda esse ano, reunindo 25 mil pessoas no total. A fórmula para o sucesso? Segundo os criadores, a ideia de valorizar a diversidade é essencial: “A inovação surge no encontro entre áreas diferentes”. Outro ponto, segundo Rafael, é valorizar a cultura brasileira, rica em possibilidades, ao contrário de se espelhar somente na cultura internacional. Mas tudo isso depende de um fator: paciência. O Path surgiu relativamente pequeno, e foi com o tempo e com a captação de recursos que hoje consegue ser um dos maiores festivais de arte e empreendedorismo do Brasil.

Mas não só de grandes negócios vive a arte. A FEA Social também trouxe a artista e empreendedora independente Renata Miwa. Como ela mesmo se define, Renata é uma artista multidisciplinar: trabalha com design, cerâmica, ilustração e outras formas de arte. Filha de ilustradoras, a artista se aventurou na faculdade de comunicação e trabalhou como ilustradora na Revista Superinteressante. Foi a partir de uma viagem para Nova Iorque, nos Estados Unidos, que Renata percebeu que era possível viver por meio da arte. Desde então, ela trabalha vendendo sua arte de forma independente. Apesar do sucesso, Renata alerta: empreender com arte não é somente ilustrar ou produzir, é preciso pensar também nos modelos de negócios, logística envolvida e analisar os resultados.

Além de arte e inovação, também é possível adicionar uma pitada de  empreendedorismo social nos negócios. Exemplo disso é a Estamparia Social, iniciativa que trabalha com egressos do sistema prisional e moradores de rua, capacitando-os no setor têxtil de produção e reinserindo essa população no mercado de trabalho. A Estamparia vende produtos próprios, como camisetas e canecas (todos com material sustentável), além de produzir para outras marcas e também empresas. O lucro é reinvestido na própria empresa. Iniciativas como essa, além de unirem arte e empreendedorismo, também se propõe a resolver problemas sociais. No caso da Estamparia, a questão é profunda no Brasil: cerca de 70% dos presos reincidem no crime, principalmente pela dificuldade de ingressar no mercado de trabalho e pela falta de políticas de profissionalização. Nesse sentido, a Estamparia Social capacita 15 egressos por mês, em parceria com o Instituto Responsa e com os centros de Acolhida de São Paulo.

Autoria: Bruno Carbinatto

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 24 Setembro, 2018

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