FEA debate novo perfil do profissional de contabilidade

 

César Costa

 

O profissional de contábeis vem mudando seu perfil ao longo dos anos. Atualmente, além de realizar as atividades tradicionais de contabilidade, ele contribui para o desempenho da organização e participa do processo de gestão estratégica da empresa. O novo papel do chamado "business partner financeiro" foi tema de um evento, no último dia de junho, realizado pelo núcleo EDGE USP, que tem como fundador e coordenador o professor Edgard Cornacchione, do departamento de Contabilidade e Atuária da FEAUSP.

 

O bate-papo teve a participação de três convidados: Marcus Cardoso, diretor de Controladoria do Ifood, Paulo Guiné, diretor-executivo da Oracle, e Marcos Batista, consultor empresarial e professor, especialista no tema Business Partner Financeiro. Os especialistas compartilharam visões e experiências acerca do novo papel do profissional de contábeis nos negócios em transformação.

 

Marcos Batista, o primeiro a falar, adiantou que "não existe uma definição exata para Business Partner Financeiro, mas há elementos que podem nos nortear". Para o professor, o Business Partner Financeiro está vinculado ao entendimento do negócio. Mas isso não é algo fácil de se medir: "O Business Partner tem que ser algo tangível. Medimos sua tangibilidade quando ele contribui com o desempenho organizacional da empresa".

 

Batista definiu como características de um Business Partner Financeiro: ser uma pessoa que contribui para o desempenho de organização, que realiza as atividades tradicionais de contabilidade e participa do processo de gestão estratégica da empresa. 

 

O segundo a palestrar, Paulo Guiné focou em relações de tecnologia e negócios. Na sua visão, atualmente existem tecnologias avançadas que facilitam muito alguns tipos de trabalhos e isso é uma abertura para uma postura mais ativa dos que trabalham na área de contabilidade, sendo importantes agentes na reorganização do business da empresa.

 

No entanto, o diretor da Oracle fez uma ressalva e alertou que nem tudo é definido somente por tecnologia: “O modelo de modernização financeira não depende só de novidades técnicas. É preciso entender que existem processos modernos e factíveis para o modelo de finanças, executivos que percebem agentes transformadores”.

 

Como um exemplo prático desse modelo de modernização e abandono de velhas práticas de finanças, Marcus Cardozo citou sua empresa iFood como um case de sucesso na área. “No passado, os relatórios contavam a história do mês passado. Se eu esperar um mês para tomar uma decisão hoje em dia, minha empresa acaba”. E detalhou sobre o atual funcionamento. "O monitoramento de negócios passou a ser algo dinâmico e, em vez do setor financeiro ser um impeditivo para projetos da empresa, ele oferece outras possibilidades para a ideia ser posta em prática".

 

O setor de Marcus, na sua visão, precisa ser parte fundamental do processo. E também é preciso estar aliado à tecnologia. “Nós somos uma empresa de tecnologia que faz delivery”, afirmou o diretor de controladoria do iFood. E sobre o perfil desse novo profissional da área de contabilidade, ele disse que não quer mais ter um contador “guarda livros”. Para ele, o job description já é totalmente diferente do tradicional: “Hoje temos um time de quase oito pessoas no iFood. Fecho minha contabilidade reportando para o exterior em 2 dias. E meu sonho é que em 2022 minha área esteja 100% digital”. 

 

O que é o EDGE USP?

O TECHNOLOGY & BUSINESS EDGE é um Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão. Seu fundador, o professor Edgard Cornacchione conta que o EDGE USP foi uma proposta de 2018 autorizada no início de 2019. "A ideia inicial partiu dos cursos desenvolvidos no âmbito da plataforma Coursera".

O intuito do EDGE USP é ser uma ferramenta para aproximar a USP e a sociedade por meio do canal de extensão universitária. O fundador explica que tal aproximação é importante, especialmente em suas áreas de foco: negócios, pessoas e tecnologia. 

Para ele, é necessário garantir melhores condições de acesso à coleção de conhecimentos e tecnologias desenvolvidas no âmbito da USP e suas parcerias, e também aos movimentos e sinalizadores de rupturas sociotécnicas de longo prazo.

Além disso, o núcleo tem como missão fomentar reposicionamento de pessoas e organizações por meio de desenvolvimento tecnológico interdisciplinar. E o principal foco são em rupturas sociotécnicas de longo prazo, seus impactos nos negócios e na capacitação profissional, variando tanto em ambientes acadêmicos quanto corporativos.

Atualmente, o EDGE tem feito eventos também acessíveis ao público externo à USP, e palestras-lives sobre temas específicos ligados à sua missão. 

Os integrantes do núcleo são um conselho formado por professores da USP. Participam também membros de projetos e atividades específicas, ligados à USP ou convidados especialistas.

 

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 13 Julho, 2020

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