FEA celebra criação de Grupo de Estudos de Economia Comportamental

Os estudos em economia se dividem em diversas vertentes e campos, focados em diferentes aspectos muitas vezes interdisciplinares. Incorporando conhecimentos da psicologia, neurociência e das ciências sociais, a economia comportamental busca entender como as pessoas tomam decisões econômicas e o impacto desse processo na economia em geral, partindo do pressuposto de que os indivíduos não são sempre racionais. Relativamente recente – os estudos se popularizaram na década de 70 – a economia comportamental vem ganhando relevância no mainstream econômico, principalmente após pesquisadores da área serem laureados com o Prêmio Nobel de Economia, incluindo o mais recente consagrado, Richard Thaler.

Foi pensando em explorar essa área em ascensão que a estudante de economia da FEAUSP Flora Pfeifer e a economista recém-graduada Isabela Tazima decidiram fundar o Grupo de Estudos de Economia Comportamental (GEEC). “Eu sempre me interessei por essa área e procurei novas oportunidades de me aprofundar, mas nunca achei”, conta Flora.

A primeira ideia de criar uma iniciativa nesse sentido foi em 2014, mas o projeto não foi para frente devido à pouca disponibilidade de docentes. Por ser um campo relativamente novo, há poucas possibilidades de estudos aprofundados em todo o Brasil. Justamente por isso, as criadoras explicam que o objetivo central é “chamar a atenção para o tema, informar e espalhar o conhecimento para a comunidade feana e demais interessados”.

O grupo funcionará através de encontros periódicos que contarão com uma palestra inicial sobre o tema abordado, seguida de uma sessão de discussão a respeito de papers e estudos previamente indicados. As reuniões são abertas ao público e acontecem na própria FEA. 

Aula inaugural

A fim de celebrar a inauguração do grupo, a FEA recebeu, no dia 12 de abril, a mesa redonda “Economia comportamental: uma introdução”, que apresentou a proposta à comunidade uspiana e tratou de temas fundamentais da área. O evento contou com a presença de Ana Maria Bianchi, professora titular da FEA e uma das maiores estudiosas da economia comportamental no Brasil, Renata Taveiros de Saboia, economista e professora de Neuroeconomia, e Célia Horta, psicoterapeuta e doutora em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da USP. As palestrantes de áreas diversas mostraram o caráter interdisciplinar da economia comportamental, além de abordar diversos aspectos introdutórios para os espectadores.

Ana Maria Bianchi ficou responsável por introduzir a aula e explicar conceitos básicos da teoria. Segundo a professora, a economia comportamental defende que a maioria das escolhas humanas não é feita de forma consciente e deliberada, considerando todas as alternativas e tradeoffs, que é o ato de escolher alguma coisa em detrimento a outra. Com isso, questiona dogmas da teoria econômica tradicional, que ainda se sustenta sobre a ideia de racionalidade. Bianchi também explicou que são considerados dois sistemas no processo de decisão: o sistema 1, rápido, inconsciente e automático, é o mais sujeito a erro e também o mais usado nas decisões do dia a dia; e o sistema 2, lento, consciente e usado para decisões complexas e que necessitam de mais esforço.

Outro conceito essencial para a economia comportamental é o nudge – sem tradução para o português. Nudges são “empurrõezinhos”, pequenos incentivos que influenciam o processo de decisão dos indivíduos sem de fato tirarem sua autonomia. A professora Bianchi lembrou que os nudges são importantes atores na criação de políticas públicas, como é o caso dos programas de poupança para aposentadoria, que incentivam os indivíduos a poupar uma pequena porcentagem de seus salários para destinar à aposentadoria. Outra aplicação prática inspirada na economia comportamental são os chamados “nudges verdes”, focados nas questões de sustentabilidade e saúde. Escadas pintadas e decoradas, por exemplo, incentivam que as pessoas as usem em detrimento de elevadores.

A psicoterapeuta Célia Horta explorou o lado micro da discussão e explicou como a economia afeta o cotidiano das relações sociais.  Segundo ela, elementos da economia comportamental podem ser observados em situações psicológicas atípicas, como a compulsão por compras ou a aversão por gastos.

Já Renata Taveiros de Saboia fechou as falas iniciais refletindo sobre a conexão entre a neurologia e a economia. Os sistemas 1 e 2, considerados nos estudos da economia comportamental, são observáveis nas conexões neuronais do cérebro humano, por exemplo. A professora explicou que nosso cérebro se desenvolveu ao longo da história baseado em três eixos essenciais ao processo decisório: instintivo, emocional e cognitivo.

Com esse primeiro encontro, o Grupo de Estudos de Economia Comportamental procurou introduzir a proposta e estabelecer os eixos de pesquisa para os interessados. Os próximos encontros tratarão de recortes mais específicos e contarão com outros nomes para discutir essa promissora área da economia.

Saiba mais sobre o GEEC:

Página do facebook: https://www.facebook.com/economiacomportamental/

Site: https://geecusp.wordpress.com/

Autor: Bruno Carbinatto
Gente da FEA - Junho de 2018
 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 7 Junho, 2018

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