Evento dos BRICS reúne acadêmicos dos cinco países

Por César Costa

 

Na dia 10 de dezembro, a FEA recebeu mais um evento de porte internacional. O BRICS Universities League Annual Forum, em tradução livre Fórum Anual da Liga das Universidades do BRICS. O fórum, coordenado pela Universidade de Fudan, da China, teve nessa edição como responsáveis os professores Paulo Feldmann e Moacir de Miranda, chefe do departamento de Administração da FEAUSP. 

O encontro de caráter acadêmico foi desde às 8h até às 19h, dividida em quatro partes: reunião de trabalho dos reitores e dirigentes das universidades que fazem parte da Liga, protagonismo do BRICS na governança mundial, encontro da juventude e uma exposição cultural com aspectos dos cinco países.

O objetivo foi de promover trocas de experiência entre as diferentes nações com foco no campo acadêmico. As pesquisas apresentadas navegavam em temas de administração, economia, energia, sustentabilidade, entre outros, e foi uma oportunidade dos brasileiros e dos outros presentes conheceram mais da produção estrangeira. 

Fórum acadêmico

Depois da abertura, a segunda parte do evento focou em um fórum em que figuras importantes das universidades de seus respectivos países apresentaram pesquisas sobre os BRICS. O tema central foi, em tradução livre, "A perspectiva para a nova década de colaboração do BRICS: motivação, caminho e modelo".  

A primeira fala foi de um dos professores responsáveis, Moacir de Miranda Oliveira Júnior, que destacou os mercados emergentes, demonstrando que além de estar ocorrendo um crescimento econômico, também há um avanço em questões de tecnologia no Brasil. Esse progresso, segundo ele, pode eliminar empregos e criar novos. Por fim, demonstrou iniciativas da FEA de integração acadêmica internacional, como revistas 100% em inglês e o SciBiz (Science Meet Business). 

O segundo a falar foi Air Marshal M. Matheswaran, representante da Peninsula University, Índia. Sua fala focou em como os BRICS podem mudar a governança mundial. Ele aponta para uma possível alteração na nova ordem mundial, com esses países liderando, criando espaço para novas alternativas e promovendo o pluralismo no sistema de poder. 

O terceiro da mesa foi o Dr. Shen Yi, da Universidade de Fudan, China. Shen focou em questões mais ligadas a internet e crimes virtuais. Ele destaca que os principais desafios a serem enfrentados são as manipulação via redes e os ciberataques. Além disso, menciona que é importante para o BRICS cooperarem com compartilhamento de informações entre si. 

A quarta foi Arina Muresan, pesquisadora sulafricana da Unisa. Seu destaque foi na linha de dar mais importância na parceria interna do sul global. Ela traz a importância das narrativas para construção da história e como o BRICS pode ser uma vanguarda dos países dessa parte do globo. Ela fala que o impulsionamento de narrativas alternativas são essenciais para o desenvolvimento do futuro desse sul como um coletivo. 

O quinto, e brasileiro, foi Amâncio de Oliveira, do departamento de Relações Internacionais da USP. O seu foco de pesquisa foi identificar qual era o espaço dos BRICS na opinião pública brasileira. Para isso, trouxe uma contextualização da política internacional desde o presidente Fernando Henrique Cardoso até o fim do segundo governo da presidenta Dilma Rousseff. No fim, mostrou pesquisas em que parte considerável da população brasileira vê o BRICS como defensor dos interesses dos países em desenvolvimento em geral e também como uma ferramenta importante na mudança da ordem mundial. 

O último a falar foi o russo Vladimir Korovkin, pesquisador da Skolkovo University, da Rússia. Sua fala teve semelhanças com a palestra de Shen Yi, centrando bastante nas questões envolvendo a internet. Ele menciona uma grande tempestade global digital acontecendo e que há muitos desafios dentro do cyberspace a serem encarados. 

Toda essa parte do evento foi mediada pelo professor José Puppim, da Faculdade Getúlio Vargas. 

A juventude e o futuro dos países do BRICS

Mediado pelo professor Célio Hiratuka, da Unicamp, mais pesquisas acadêmicas foram expostas, mas, pela ótica de jovens de cada um dos países do BRICS. Foram exatamente cinco temas expostos, cada um com um enfoque próprio. 

A primeira a falar foi Sanika Ranadive, estudante da Jilin University, de Mumbai, Índia. Seu tema era uma perspectiva econômica para um futuro melhor. Sua fala seguiu uma linha de sugerir novas ideias, inovações e iniciativas para promover o crescimento dos países do BRICS. Além disso, Sanika menciona que essas melhorias não podem vir de qualquer jeito, que é importante balancear. Pontua que é importante o desenvolvimento sustentável, porém, faz uma ressalva condiranderando os diferentes patamares de industrialização que os países do mundo vivem, então o controle de carbono deve levar isso em conta. 

A segunda fala foi de Eduardo Cavalieri, brasileiro estudante da FGV que passou um tempo considerável na China. Sua apresentação buscava demonstrar o tamanho desconhecimento que os países do BRICS têm entre si, mas com o enfoque especial em como os brasileiros desconhecem a China. Depois, começou a expor motivos pelos quais o país asiático começou a ter sucesso em diversos segmentos do empreendedorismo e como pode ser benéfico se espelhar nesse ecossistema. 

Retomando a temática de sustentabilidade, Ruslan Valiev entrou mais a fundo justamente na importância desse assunto. O russo define dizendo que sustentabilidade é permitir as próximas gerações usufruirem dos mesmos bens que a atual pode consumir. Nisso, criticou as atuais medidas contenção de mudanças climáticas. Apontou elas como muito brandas, e, mesmo se forem seguidas as riscas, não serão suficientes para impedir mudanças prejudiciais à humanidade. Por fim, apontou como parte dos responsáveis são as empresas de uma forma geral. Considerando que elas visam estritamente o lucro, quem ele vê como capaz de mudar esse comportamento é juventude atual. 

Hou Xiaochen foi a representante da China na mesa. Vindo da Universidade de Fudan, o enfoque de sua pesquisa foi em questões educacionais. Ela menciona que há ainda poucos estudantes dos países do BRICS estudando em outras nações do grupo. São raros os brasileiros indo para universidades chinesas, por exemplo. Xiaochen conta também sobre os programas de integração entre as universidades desses países e o próprio Eduardo Cavalieri fez parte de um deles, inclusive, afirmando que fez uma diferença muito grande em sua vida.   

A última fala foi de Bhaso Ndzendze, o sul-africano estudante da Joanesbourg University. Primeiro ele mencionou o Efeito Matthew, o qual diz que os mais ricos tendem a ficar mais ricos, e os pobres mais pobres. No entanto, ele vê na quarta revolução industrial uma forma de contornar esse problema. Considerando os países do BRICS com um desenvolvimento maior na parte de inovação tecnológica, ele reforça a importância das universidades para esse progresso. 

Exposição cultural

A última parte do evento foi mais lúdica, com apresentações artísticas referentes a cada país dos BRICS.

 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 12 Dezembro, 2019

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