Evento discute possibilidades para a crise política

Palestrantes Brasil do FuturoCom o desenrolar do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso, debater as perspectivas políticas do país é, atualmente, uma das principais pautas.. Para discutir essa questão tão urgente, o CAVC (Centro Acadêmico Visconde de Cairu) organizou o evento “Qual o futuro do Brasil? Visões da crise e perspectivas sobre os rumos da política nacional”, que ocorreu no auditório Safra, no dia 14/04 na FEAUSP e contou com palestras de Marco Aurelio Martorelli, Renato Meirelles, Arthur Scatolini Menten e Fernando Limongi.

Um dos principais pontos destacados foi a crescente polarização da população em relação à crise política, “a situação de hoje é totalmente injustificada. Não tem nenhuma base jurídica que explique porque nós chegamos a esse ponto”, explicou o professor da FFLCH, Fernando Limongi, “ao meu entender, os atores políticos optaram por essa situação de conflito radicalizada. A oposição concluiu que Dilma não deveria completar seu mandato”. O professor ainda apontou que o que diferencia essa crise política de crises anteriores é que os atores políticos estariam mais mobilizados, “é difícil entender porque as elites políticas optaram pela radicalização. O PT representa a ordem, é um partido convencional, mas não soube jogar o jogo político. Foi uma grande inépcia e incapacidade de construir uma colisão de acordo”, concluiu.

Para Renato Meirelles, presidente do Data Popular,a grande razão para que os brasileiros estejam tão mobilizados é a corrupção, “essa narrativa [da corrupção] vem sendo construída há algum tempo. No começo, o PT era tido como o partido incorruptível, e em 20 anos essa lógica se inverteu completamente. Boa parte da esquerda se decepcionou com as políticas do governo petista”. Somado a isso, a crise política também é uma consequência direta da crise econômica, “se não estivéssemos em um momento de recessão, o movimento de impeachment não teria tanta força. Essa é a primeira crise em que o brasileiro está perdendo suas conquistas materiais”. O advogado Marco Aurelio Martorelli ainda acrescentou que a situação caótica da economia se deve à incompetência do governo e também da oposição, “nós deixamos de debater a fundo o que queremos do Estado. Vivemos uma série de governos que estão preocupados apenas com sua imagem na mídia”. O advogado ainda defende que, na atual conjuntura, o impeachment é uma saída desejável, “o impeachment não vai mudar a sociedade, mas é necessário nesse momento”.

Contrário ao impeachment, Arthur Scatolini Menten, advogado e doutorando  pela São Francisco, argumentou que a democracia só funciona se os representantes políticos estiverem dispostos a conversar, “mas o processo em um país como o nosso é desastroso, porque exigimos muito pouco dos programas eleitorais dos partidos”. Menten ainda destacou que só é possível revogar o mandato de um presidente por ele ser pessoalmente incapaz de continuar o governo e esse não seria o caso de Dilma Roussef, “para se romper um mandato tem que haver um crime de responsabilidade. Não está em discussão a integridade da Dilma, mas sua gestão. E a meu ver não me parece que as pedaladas fiscais justifiquem o pedido de impeachment”, concluiu.

Matéria e fotos: Isabelle Dal Maso

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 20 Abril, 2016

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