Estratégias, oportunidades e riscos: os novos desafios das empresas de TI

A Indústria Brasileira de TI é uma das mais importantes do mundo, posicionada em 7º lugar no ranking mundial, com um investimento de US$ 60 bilhões, em 2014. Considerando só o Mercado de Software, o faturamento atingiu a impressionante marca de US$ 11,2 bilhões, em contar as exportações em 2014. Com o objetivo de discutir os riscos desse setor na atual conjuntura econômica, ocorreu na FEAUSP no dia 28 de junho o seminário, “Internacionalização de Empresas de TI em ambiente de incerteza: Oportunidades, Riscos, Estratégias”, organizado pelo professor Nicolau Reinhard, do departamento de administração,  com apoio da Fundação Instituto de Administração -  FIA, do Instituto de Tecnologia de Software - ITS e da Associação Brasileira  das Empresas  de Software – ABES.

“Estamos passando por um momento muito peculiar e as empresas de TI têm desafios específicos”, explicou o professor Reinhard, “é muito importante ouvir as estratégias ousadas de empreendedores brasileiros que estão competindo com sucesso no mercado internacional”, completou. Em um cenário em que a economia brasileira passa por um período de queda do PIB, aumento da inflação e alta de juros por um lado, por outro, a desvalorização do real frente ao dólar favorece às exportações, “nós temos uma das economias mais isoladas do mundo. Temos que abrir a economia e exportar mais para o mercado externo”, explicou o Prof. Dr. Simão Davi Silber durante sua palestra sobre a conjuntura macroeconômica brasileira e o cenário global.

Outro ponto destacado durante o seminário foram as estratégias para internacionalização. Segundo Rafael Fortes, presidente da Vtex e membro da Abes, o mercado brasileiro de software precisa se reinventar, “nós, empresários do setor de software, precisamos pensar em grande escala”, explicou. Rafael citou o exemplo de sua própria empresa, a Vtex, especializada em comércio eletrônico. No final dos anos 2000, como estratégia de crescimento, eles apostaram na economia de escala, ou seja, ao invés de criar soluções específicas para os clientes, a Vtex começou a produzir produtos que pudessem atender demandas gerais, cobrando um preço mensal muito mais baixo. “Nossa primeira grande mudança foi essa. Saímos de uma economia de produtos para uma economia de serviços”, explicou, “percebemos que precisávamos mudar nosso modelo de negócios e começar a pensar em atender uma demanda global, com serviços mais generalizados, tornando assim o produto mais barato e competitivo”. Rafael também destacou que ao procurar se inserir no mercado global é importante estar atento às diferenças culturais especificas, “aprendemos a respeitar a cultura de cada país, sem perder nosso DNA que é tecnologia e business. Criamos parceiros locais e focamos naquilo que tínhamos”. Hoje, a Vtex está presente em todos os países da América Latina e tem clientes em países como Canadá e Estados Unidos. 

Texto: Isabelle dal Maso

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 4 Julho, 2016

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