Estratégia chinesa ajuda no desenvolvimento de carreiras

Autora: Ingrid Luisa

“A vida gira em torno de nossas próprias decisões”, afirma a empresária e futura mestra de Ving TSun Kung Fu, Cristina de Azevedo. Na palestra “O empoderamento do feminino no desenvolvimento de carreiras - uma noção estratégica chinesa”, realizada na FEAUSP, Cristina, dona de uma empresa de orientação estratégica de pessoas, explicou como a filosofia ligada à jornada das artes marciais pode ajudar no desenvolvimento profissional.

O Ving TSun Kung Fu é uma vertente do Kung Fu criada pela chinesa Yim Ving Tsun, no século 18. Esse sistema se manteve restrito aos clãs chineses até o século 20, quando se espalhou pelo mundo. Reconhecido também como um sistema de inteligência estratégica, cada vez mais seus ensinamentos vêm se tornando relevantes no mercado de carreiras.

Para explicar melhor essa filosofia, Cristina apresentou sua própria experiência. Filha de imigrantes donos de fábricas, ela se formou em administração de empresas e fundou um empreendimento, o “Cris de Azevedo pasta design”. Os principais produtos oferecidos eram diferentes macarrões coloridos, que foram um sucesso: por anos Cris vendeu seus produtos para várias companhias aéreas, e sua marca foi vencedora de prêmios de culinária. Mas, no auge da empresa, ela não se sentia satisfeita. Refletiu muito, e resolveu vender o negócio e partir para um período sabático. Foi aí que ela encontrou o Ving TSun Kung Fu.

Auxiliada pelo mestre Julio Cesar Ferreiro, ela aprendeu que “é preciso lutar para não lutar”. A palestrante explicou que situações problemáticas são adversários, não inimigos, e cabe a cada um se conhecer para decidir a melhor forma de enfrentar. Durante sua longa jornada como empreendedora, ela conta que adotou muitas “posturas masculinas” para ser aceita, sempre agindo de uma forma dura e fazendo muito esforço. Mas aprendeu que a mulher deve valorizar a “conduta feminina”, aquela que se adéqua a qualquer que seja a circunstância, pondera, enxerga o visível e o invisível das situações para lidar com cada uma delas.

Essa filosofia tem um forte componente pragmático., ensina Cristina. Ser capaz de enxergar diversas alternativas, lidar com o outro, não julgar. Utilizar a inteligência estratégica para fazer por conta própria e buscar seus objetivosé necessário, ainda mais na atualidade, em que a lógica processual-relacional está substituindo a antiga lógica sistêmico-controladora. “Não ser sequestrado pela situação, e sim administrá-la”, sintetizaa futura mestra.

No âmbito das carreiras, Cristina afirma que essa experiência com o Ving Tsun propõe uma perspectiva “transindividual”, em que você não é individualista perante o mundo, mas também não nega sua individualidade. Paciência e ponderação, de acordo com ela, são as peças chaves para o autoconhecimento e sucesso profissional.

O evento, voltado aos alunos e aberto ao público em geral, foi organizado pelo escritório de desenvolvimento de carreiras da USP (ECAR), coordenado pela professora da FEAUSP, Tania Casado.

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 15 Setembro, 2017

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