Especialista fala sobre como as marcas devem atrair consumidores

Plateia da palestra Edward Leaman, professor de Construção de Marcas na Stanford University, esteve na FEAUSP no dia nove de junho, a convite do professor José Augusto Guagliardi. Ele ressalta que as propostas de Leaman são muito focadas no consumidor, e que sua visita é importante para que se analise a relação das empresas brasileiras com o público, para saber se elas entregam o que prometem em sua publicidade. Organizado pela Fipe, o evento foi dividido em duas partes: na primeira Leaman comentou sobre como tornar uma marca inovadora e na segunda ele debateu sobre as ideias dos participantes para suas próprias empresas.

Na palestra, ele afirmou que não poderia ensinar as pessoas a terem ideias, apenas como transformá-las em realidade. "Você pode ter estilo e inteligência" para desenvolver seus próprios projetos, mas é preciso aliar vocação e paixão: "há pessoas que fazem coisas que amam mas não possuem talento e pessoas que têm talento, mas que não amam o que fazem". Para ele, o sucesso deriva dessa combinação.

Leaman destacou que uma etapa importante para a excelência de uma marca é ter em mente o consumidor. A relação consiste em "adquirir, reter e manter" o cliente. Comentou que uma empresa nunca pede: "por favor, compre meus produtos". É preciso que a marca proporcione uma impressão positiva para as pessoas.

Para causar um impacto capaz de mudar o comportamento do consumidor (para que ele passe a adquirir produtos e serviços de novas empresas, por exemplo), é preciso que a marca ganhe confiança e cause experiências positivas através de bons produtos. Para ilustrar esse conjunto, ele afirmou que um restaurante que oferece uma comida maravilhosa com um atendimento ruim não fideliza o público, e tão pouco o faz com ótimo atendimento, mas com um péssimo menu. Ele ressaltou que toda a cadeia de produtos deve ser boa e que "é preciso pensar como o cliente".

Para viabilizar esse tipo de estratégia, Leaman acredita que se deve desenvolver uma linguagem para que os outros acreditem em suas ideias. Não se deve transmitir apenas "O que se está fazendo", mas também o "Porquê se está fazendo". Assim, a marca é uma promessa que se deve entregar e cumprir.

Esse cenário leva a duas problemáticas. A primeira é sobre como tornar a marcar atrativa em meio a tantas outras, já que as diversas mídias veiculam publicidade constantemente. A segunda é sobre como fazer com que os clientes façam uma boa divulgação de sua marca, já que não importa o que você diz sobre si mesmo, mas sim a opinião de seus consumidores sobre o produto.

Ele acredita que a inovação é uma boa solução para essas questões, e a define como aquilo que é capaz de modificar o comportamento das pessoas. Quanto a publicidade, acredita que o impacto social é fundamental, pois sem ele não se atinge as gerações mais novas. Por isso, é preciso investir na mensagem, no meio em que ela será transmitida e também no mensageiro dela.

Para o futuro, lembrou que a tecnologia está criando novas formas de relacionamento, e que é preciso se adequar a elas: "Em tudo o que fizer, é melhor ser um visionário ou você terá problemas", brincou. Por isso, citou três focos que não se pode deixar de ter em mente: "Quem são os consumidores hoje e quem eles serão amanhã? Quem são os concorrentes hoje e quem eles serão amanhã? Quais habilidades e conhecimentos se tem hoje e se eles serão suficientes amanhã". Essas questões devem ser resolvidas para que a empresa se destaque.

Autora: Thaís do Vale

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 24 Junho, 2015

Departamento:

Sugira uma notícia