Diálogo marca início da gestão Frezatti

Diálogo, portas abertas, interação, parceria, trabalho em equipe, convivência, transparência. Essas são as palavras-chaves da nova gestão da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Assim que tomaram posse no dia 14 de julho passado, o novo diretor Fabio Frezatti e seu vice José Afonso Mazzon convocaram uma reunião com seu staff para trocar as primeiras impressões. Naquele momento, ficou claro para quem participou do encontro que a intenção era estreitar relações e diminuir a distância entre o topo e a base da pirâmide. “Sou uma pessoa acessível. Se tiver alguma coisa que você queira dizer para mim e não disse, tem um problema. Eu não gostaria que isso acontecesse”, disse o novo diretor. 

Esse também foi o tom que marcou a “conversa” de Frezatti com os servidores da FEA, no dia 9 de agosto, quando ele apresentou uma relação de “princípios e valores” e expôs as diretrizes que nortearão os quatro anos de seu mandato (2018-2022). “A gente tem que contar para as pessoas para que lado a gente vai, que jogo a gente quer jogar”. O ex-chefe do departamento de Contabilidade e Atuária destacou que a FEA se propõe a ser protagonista e, portanto, tem que correr atrás das soluções. “Temos que buscar sempre a excelência. E como se percebe a excelência? Nos resultados. Ter um aluno bem preparado, um professor com sucessos nas suas pesquisas e publicações, e demandas para a sociedade atendidas, são exemplos de realizações. Ter motivação, apesar de todas as crises que estamos vivendo no país: moral, econômica e social”. 

Para construir a excelência desejada, o trabalho passa pela mudança de comportamento. Aumentar o diálogo entre os departamentos da FEA é um dos desafios. “Como a gente faz para sermos mais unidos? Temos alguns mecanismos. Temos um projeto acadêmico. A ideia é que a gente tenha uma discussão que force, estimule e proporcione um diálogo maior entre os três departamentos. É um tremendo desafio. Essa FEA unida que mexe com os vários departamentos, mexe com todos nós: o professor, o aluno, o servidor. Ou é o todo, ou não é nada. Se o corpo não tiver bem em todas as suas partes, existe algum problema a ser resolvido”.   

O projeto acadêmico citado por Fabio Frezatti é um dos pilares do novo processo de avaliação da USP, instituído na gestão do reitor Marco Antonio Zago, que tem duas vertentes: a institucional e a individual. A primeira, segundo o diretor da FEA, mexe com as unidades e os departamentos. A outra, com o docente. “Estamos discutindo nesse momento, o da unidade. Num segundo momento, será o do departamento, e no terceiro, dos professores. Então, a expectativa é de até o final do ano termos os projetos acadêmicos dos professores”.

Na visão do novo diretor da FEA, esse processo trará indiscutivelmente uma mudança de cultura dentro da universidade. “Não estamos acostumados com esse modelo. Então, é uma mudança de cultura. É um aprendizado intenso e tenso. Porque, quando você tem uma meta, algo que tem que perseguir, você pode sentir isso como uma ameaça, algo que será cobrado. Por outro lado, é um elemento de justiça, sobre o que pode ser cobrado. Essas duas coisas precisam ser calibradas”.


Empregabilidade: prioridade da FEA

De que forma o novo projeto acadêmico refletirá na sala de aula? Ao ser questionado sobre o tema, Fabio Frezatti reconheceu que foram levantadas várias críticas relacionadas à graduação. “Nós estamos afastados, distantes das organizações. As organizações estão indo mais rápido do que nós estamos ensinando. Precisamos ter algo que fortaleça, que de alguma forma aumente a empregabilidade das pessoas, que atenda as demandas das organizações”, ressaltou.

Nesse ambiente de mudanças cada vez mais rápidas em que as organizações precisam se reinventar para sobreviver, a FEA, como referência na área de Gestão, tem de estar atenta à nova lógica dos negócios. “Temos conhecimento de centenas de anos sobre as organizações: elas nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Mas, e as startups? Em dois anos, elas podem sair do nada e faturar bilhões. Nós estamos preparados para administrar esse conhecimento, passar esse conhecimento”?

O próprio Frezatti respondeu: “Temos que direcionar nosso curso para ser mais aderente ao ambiente que propomos. Termos uma preocupação metodológica, usar mecanismos mais adequados. Como fazer para estarmos antenados com os alunos que temos hoje e, ao mesmo tempo, antenados com o ambiente que eles irão trabalhar? A ideia, então, é termos projetos que tratem disso, e não nos preocuparmos apenas com a maneira como a aula será dada”.   

Para esse e outros desafios, Fabio Frezatti contará com a atuação permanente do professor José Afonso Mazzon. “Não haverá vácuo nessa gestão. O departamento de Administração está cedendo o professor Mazzon como vice-diretor, de quem espera-se uma participação ativa. Não é o Fabio que está pensando, mas a diretoria”. Segundo ele, o departamento de Economia terá uma relação forte com a reitoria. “A expectativa é que dois professores da economia tenham essa interação, trabalhando para que a FEA seja melhor conhecida, participando de comissões, e não apenas sendo representada no Conselho Universitário”.

Compromissos

Algumas questões foram levantadas durante a reunião entre o novo diretor e os servidores da FEA. Falou-se em estrutura mínima, no compartilhamento de serviços entre as unidades da USP (o chamado “pool” de serviços) e no desenvolvimento de pessoal. Sobre a estrutura mínima, Fabio Frezatti deixou claro que não tem intenção de implantar o modelo proposto pela reitoria da USP, que entende ser apenas uma proposta orientativa e cuja implantação não é obrigatória. A ideia do “pool” de serviços, em sua opinião, aparentemente faz sentido, mas deve ser discutida em maior profundidade. Com relação ao desenvolvimento de pessoal, o assunto está sendo estudado. “Minha perspectiva é de que não tenhamos apenas cursos. Temos de identificar quais são as pessoas certas para as funções certas”.

Fabio Frezatti disse que valoriza as pequenas e grandes ideias e sempre estará aberto para receber as sugestões dos funcionários. Admitiu, porém, que não dá para fazer milagres, que irá trabalhar com o pé no chão. O que não quer dizer que não poderá buscar parcerias para concretizar alguns projetos. “Dentro do longo prazo, coisas pequenas e coisas grandes serão resolvidas”. Admitiu, no entanto, que poderá “plantar” projetos, mas não necessariamente terá tempo de colhê-los. No máximo, regá-los.

Os assédios moral e sexual também são temas que estão na agenda da nova diretoria, assim como a preocupação com casos crescentes de suicídio e depressão entre jovens no país. Um dos projetos anunciados é a implantação de um serviço de saúde mental na FEA para alunos, funcionários e professores. O diretor Fabio Frezatti convidou a professora Ana Cristina Limongi-França, que é psicóloga formada, para encabeçar esse projeto. A Congregação da FEA já aprovou o projeto e sua implementação deve ocorrer em breve.

A diversidade de opiniões foi outro tema analisado pelo novo diretor, para quem o mundo hoje está bastante “fragmentado”. Segundo ele, em qualquer ambiente é comum aflorarem discussões acerca de ideologias relacionadas à política, gênero e religião. Mas o respeito às pessoas e suas individualidades é um dos princípios que a nova gestão quer perpetuar. “Você tem que ser respeitado seja qual for a sua matriz. Então, quer dizer que tenho que concordar com as pessoas? Não, eu tenho que ouvir. Eu vou perder a minha opinião? Não, mas vou entender que tem alguém que não é igual a mim”.

Dentro da proposta de FEA unida, Frezatti decidiu reabrir o coral da faculdade. Antes de começar a funcionar, os interessados em participar passarão por um curso de difusão de Canto Coral, com duração de 36 horas. “A ideia do coral é integrativa. Qual é a lógica disso? A lógica é a convivência. Convivência é uma atitude individual que é facilitada pelo coletivo”. O professor Gilmar Masiero, Presidente da Comissão de Cultura e Extensão da FEAUSP, abraçou a ideia e está trabalhando para que seja realizado brevemente.

Em uma de suas falas aos servidores da FEA, Fabio Frezatti disse de forma descontraída que tinha muito a aprender, que por enquanto era apenas “trainee de diretor”. Ao Gente da FEA, ele revelou que, apesar de estar na USP há 21 anos, não tinha ideia da dimensão de seu novo cargo. Um mês após assumir, percebeu “a complexidade que a diretoria da FEA tem”. “Tive um aprendizado enorme nesses dias em relação às pessoas, à estrutura, às expectativas, às demandas e às limitações”, afirmou.

Na reunião da Congregação, o professor Frezatti parabenizou os professores Adalberto Fischmann e Rodrigo De Losso, que o antecederam pelas atividades desenvolvidas num ambiente muito difícil.

Para Frezatti, o diretor é um “inquilino desse espaço”. “Eu tenho que ter um prazo, um saldo inicial de recursos, de sonhos, de tensões, e quero entregar isso numa situação melhor. E essa melhora precisa ser traduzida, ou seja, que a evasão seja menor, que o sucesso das pessoas nas suas carreiras seja melhor e que a sociedade paulista fique mais satisfeita com a USP”, finalizou.


Gente da FEA - setembro de 2018
Autora: Cacilda Luna

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 24 Agosto, 2018

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