Dia 23, Maria da Penha divulga estudo sobre violência doméstica

Por Cacilda Luna

Pesquisadores da Pós-graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (CAEN/UFC) juntamente com a farmacêutica Maria da Penha Fernandes, que deu nome à lei que trata da criminalização dos casos de violência doméstica (Lei Maria da Penha), lançarão no dia 23 de outubro, na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, a Terceira Onda da Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (PCSVDFMulher), o maior estudo multidisciplinar sobre violência doméstica já realizado no país e na América Latina, iniciado em 2016, coordenado e desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará, em parceria com o Instituto Maria da Penha.

Nesta etapa da pesquisa (2019), o escopo geográfico será ampliado de regional para nacional, atingindo 10 mil mulheres de 7 capitais brasileiras (Fortaleza, Recife, Salvador, Goiânia, Belém, Porto Alegre e São Paulo), contemplando dessa forma as cinco regiões brasileiras. O evento tem o apoio do grupo de pesquisa EconomistAs (Brazilian Women in Economics), da FEAUSP.

Dividido em “três ondas” de entrevistas, a pesquisa PCSVDFMulher visa aprofundar os conhecimentos sobre a violência doméstica e auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas que possibilitem o enfrentamento da violência doméstica no Brasil, bem como servir de fundamento para as organizações que trabalham com o tema e fonte para estudos e trabalhos acadêmicos.

Em 2016 e 2017, a pesquisa longitudinal realizou “duas ondas” de entrevistas nas nove capitais do Nordeste. Foram mais de 10 mil famílias pesquisadas. Os resultados foram divulgados à época (confira resumo abaixo) e seus relatórios podem ser conferidos no site www.institutomariadapenha.org.br.

Para essa nova etapa da pesquisa, foram selecionadas para atuarem como entrevistadoras de campo somente mulheres, devido principalmente por se tratar de uma pesquisa que visa entender a violência doméstica, levando as entrevistadas a relatarem possíveis agressões tanto físicas, quanto morais ou sexuais. 

A metodologia da PCSVDFMulher segue as melhores práticas adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelos institutos mundiais responsáveis pela coleta de bases socioeconômicas longitudinais domiciliares (IBGE Brasil, Bureau of Labor Statistics USA, European Union, entre outros).

O estudo tem a coordenação do professor José Raimundo Carvalho, da Universidade Federal do Ceará, e conta com especialistas de instituições como a própria UFC, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Instituto de Pesquisas Econômicas do Ceará, Universidade de Essex (Reino Unido), University of Gottemburg (Suécia), entre outras. O projeto tem financiamento da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do Ministério dos Direitos Humanos.

Segundo o professor José Raimundo Carvalho, o objetivo geral da PCSVDFMulher é produzir um conjunto de dados único, longitudinal, que permita o estudo da violência doméstica, da alocação de recursos e da distribuição do poder de barganha no domicílio, da saúde das crianças e seu desenvolvimento cognitivo-emocional, e das inter-relações entre eles por meio de uma abordagem interdisciplinar. Para a ativista Maria da Penha, a PCSVDFMulher traz de maneira inédita um conjunto de evidências que subsidiarão políticas factíveis, cientificamente embasadas e implementáveis de enfrentamento à violência doméstica, pois aliam o rigor científico à vivência e experiência prática das organizações de ativismo.

Resultados da PCSVDFMulher

Divulgada em dezembro de 2016, a pesquisa mostrou que três em cada 10 mulheres que moram no Nordeste sofreram ao menos um episódio de violência doméstica ao longo da vida. A pesquisa aplicou questionários em 10 mil famílias das nove capitais do Nordeste. Salvador, Natal e Fortaleza apresentaram os maiores índices. De acordo com os resultados, 27% das mulheres, entre 15 e 49 anos, sofreram algum episódio de violência emocional – como insultos, humilhações ou ameaças –, 17,2% sofreram violência física e 7,13%, violência sexual.

A PCSVDFMulher contabilizou também, pela primeira vez, os impactos financeiros da violência doméstica. A pesquisa apurou que os prejuízos somam R$ 1 bilhão ao ano no Brasil. Falta de concentração, dificuldade de tomar decisões, erros ou acidentes, e grande número de faltas no emprego são os impactos mais significativos na vida profissional. A pesquisa revelou que, em média, as mulheres agredidas dentro de casa faltam ao trabalho 18 dias por ano . Além disso, elas também passam menos tempo empregadas: são, em média, 58 meses contra 78 de uma mulher que não sofre violência.

No dia 23 de outubro, no lançamento da Terceira Onda, será lançado também o “Relatório IV - Evolução Recente da Violência Doméstica no Nordeste – 2016 e 2017” traçando um comparativo da incidência e prevalência da violência doméstica e familiar contra a mulher, nas capitais do Nordeste, nesses dois anos.

 

Programação:

Lançamento da Terceira Onda da PCSVDFMulher

Data: 23 de outubro

Horário: das 10 às 12h 

- Abertura com a presença de autoridades; apresentação do grupo EconomistAs (FEAUSP); apresentação da 3ª Onda da PCSVDFMulher pelo prof. José Raimundo Carvalho (UFC); fala de Maria da Penha Fernandes e coletiva de imprensa

Local: Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP – Sala da Congregação - Av. Luciano Gualberto, 908 – Cidade Universitária – São Paulo

*Evento aberto ao público

Inscrições obrigatórias pelo link: paineira.usp.br/bwe/?p=744&lang=pb
Informações: tel. (11) 3091-5873, com Fabiana Pereira ou Sidney Dantas
E-mail: bwe@usp.br

 

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 16 Setembro, 2019

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