Debate sobre negócio de impacto ambiental atrai público online

 

Por César Costa 

 

No último dia sete de abril aconteceu a primeira discussão sobre o livro Negócios de impacto socioambiental no Brasil: Como empreender, financiar e apoiar, escrito por diversos autores. O encontro online contou com mais de 100 pessoas e teve como propósito discutir os dois primeiros capítulos.

 

A docente Graziella Maria Comini, do departamento de Administração da FEA e uma das organizadoras do livro foi a mediadora da conversa. Além dela, estavam os outros dois organizadores, Edgard Barki e Haroldo Torres, e também outros dois pesquisadores, também autores do livro: a professora sênior da FEA, Rosa Maria Fischer e Diogo Quitério.

 

A  obra é voltada para toda e qualquer pessoa interessada em conhecer o estado atual do ecossistema de impacto positivo em nosso país. Além disso “também é um aceno para aqueles interessados em juntar-se ao movimento global que reúne empreendedores sociais, executivos de grandes empresas, aceleradoras, investidores e gestores públicos que acreditam em modelos de negócios que resolvem problemas sociais e/ou ambientais” como é descrito em sua sinopse.

 

Capitalismo movido por propósito 

 

No primeiro capítulo, Edgard Barki foi quem mais comentou. O autor do capítulo é Stuart Hart, referência na área de pesquisas sobre base da pirâmide e sustentabilidade. De acordo com Barki, o capítulo tem como grande foco pensar num capitalismo mais sustentável. Em suas palavras, como promover um “salto verde de incluir bilhões de pessoas no mercado de forma sustentável”. 

 

Barki sugere também o foco em criar um capitalismo de propósito: “desde de 2008 estamos repensando o capitalismo mas agora é um momento para repensar as organizações. Da forma que este modo de produção está, ele cria uma desigualdade social gritante. Como podemos criar um capitalismo diferente com outro papel para as empresas?” questiona.

 

A professora Comini complementou sobre o trecho do capítulo em que é resgatado o autor Adam Smith. Ela afirma que olhamos para ele de maneira distorcida e cita, em defesa do autor, A Teoria dos Sentimentos Morais, e a necessidade de se buscar um interesse individual moderado: “o auto interesse está exacerbado atualmente. Estou esperançosa de nós, sociedade, fazermos um reset” ela diz. 

 

O ecossistema de fomento aos investimentos e negócios de impacto: rompendo fronteiras

 

Quem começou a falar sobre o segundo capítulo foi Diogo Quitério, um dos três autores junto com Célia Cruz e Beto Scretas. Ele inicia dizendo que muitos dos investidores reclamam que não existem bons negócios, e que o inverso também acontece: quem necessita de investidores, disse que não há disponíveis. “Tem muita assimetria de informação” fala o autor. 

 

Para Diogo, há uma inquietação de que existem muitas pessoas fazendo trabalhos interessantes, mas não estão conversando entre si. “É preciso de todo um ecossistema estruturado que impulsione”, explica. ”Precisamos construir um ecossistema que seja grande em qualidade e quantidade, tudo isso com conexões”.

 

O autor do capítulo diz que no artigo são listados oito pontos de intervenções/gargalos prioritários e algumas hipóteses de como trabalhar neles. “Esse capítulo é o mais importante livro porque tentamos posicionar, conhecer os autores com quem as pessoas precisam interagir e aumentar o interesse de fomentar esse ecossistema” finaliza. 

 

O livro como um todo

 

Haroldo Campos trouxe uma visão mais abrangente do livro: “muita coisa nos motivou a pensá-lo. Temos uma produção de 15 anos sobre negócio de impacto. O que mais nos cultivou foi: atualizar esse debate, contextuar o momento em que estávamos ano passado e ter um livro para que servisse para os praticantes desse campo”. 

 

Campos afirma que eles irão trabalhar de formas muito específicas sobre os recursos humanos e marketing mas de um jeito que o empreendedor social possa utilizar e refletir sobre sua prática. E deixa claro: “a pretensão não é apenas acadêmica”. 

 

O pesquisador fala sobre o capitalismo estar numa encruzilhada, em referência ao livro de Stuart Hart, Capitalismo em Encruzilhada. “Estamos falando de uma encruzilhada ambiental, aquecimento global, colocando questões essenciais de sustentabilidade e continuidade humana. Sustentabilidade no sentido social” ele explica.

 

Campos termina sua fala dizendo que no mundo há uma massa de pessoas pobres, e que os profissionais enfrentam no mercado do trabalho uma expansão da robotização que coloca desafios para os empregos de classe média e da indústria. 

 

Outros pontos importantes

 

Depois de todas essas falas e uma sessão de perguntas, a última autora a falar foi a docente Rosa Maria Fischer. Ela diz que os que entram neste caminho do empreendedorismo social são grandes sonhadores. “Eu acredito que nosso sonho comum é, num futuro mais próximo possível, não seja necessário denominar um negócio de impacto, que todas as empresas já façam algo relacionadas a isso”. 

 

Uma das sugestões de Rosa é ampliar o número de casos empíricos. “Quanto mais você tem a ocorrência de um fenômeno, mais você tem a mudança desse universo”.

 

A pesquisadora também afirma que está sendo construído uma rede e que dentro dela precisam fluir as energias mais diversas. “Quanto mais permitirmos que esse modelo seja fluido, mais esse ecossistema vai ser atuante”, nas suas palavras. 

 

Como conseguir o livro

 

O livro foi idealizado pelo Instituto de Cidadania Empresarial - ICE com participação da Editora FGV. O ICE foi criado em 1999 com um propósito de reunir empresários e investidores em torno de inovações sociais que pudessem alavancar seu investimento pessoal e filantrópico, de suas fundações e seu investimento corporativo para promover a inclusão social e a redução da pobreza no país.

 

O livro está presente no site do Instituto e você pode baixá-lo gratuitamente depois de fazer uma inscrição acessando o setor publicações no link http://ice.org.br/.

 

 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 16 Abril, 2020

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