Colóquio sobre suicídio nas universidades públicas

Por Breno Queiroz 

 

O coordenador do Escritório de Saúde Mental da USP e vice-diretor do Instituto de Psicologia (USP), Andrés Eduardo Aguirre Antúnez, reconheceu que, apesar de o índice de casos de suicídio tradicionalmente ser maior entre os mais velhos, a tendência que se verifica hoje em dia é de um aumento dos casos entre jovens de 10 a 29 anos. As razões para esse fenômeno, apontadas pelo docente, passam pela genética, questões relacionais, biografia da pessoa, até fatores sociológicos como as mudanças observadas com a revolução tecnológica, que possibilitou a comunicação maciça em rede e provocou um grande impacto nas relações humanas. 

 

Andrés Antúnez foi um dos participantes de um debate ocorrido na FEA, no dia 21 de novembro, com o título "Colóquio sobre suicídio nas universidades públicas: compreensões fenomenológicas", que reuniu especialistas na área de saúde mental, entre eles Adriano Furtado Holanda, doutor em Psicologia pela PUC-Campinas e professor de Psicologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR); Ileno Izidio da Costa, docente do Departamento de Psicologia Clínica da UnB; e Tommy Akira Goto, professor da Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O objetivo do evento, organizado pelo Escritório de Saúde Mental, em conjunto com a Pró-Reitoria de Graduação da USP, foi o de promover uma conversa junto à comunidade universitária sobre a questão do suicídio dentro das universidades públicas. 

 

O professor Adriano Furtado Holanda (UFPR) recorreu a obras de grandes autores para iniciar sua reflexão. Citou dois versos do poema “Se te queres matar, porque não te queres matar?”, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa: "Talvez seja pior para outros existires que matares-te…Talvez peses mais durando, que deixando de durar...". Em seguida, o docente ilustrou sua exposição com uma citação de Hannah Arendt, filósofa alemã que fugiu do nazismo nos anos 30: “É preciso aprender a frequentar os mortos”.

 

A partir dessas referências, o professor Adriano Holanda deu o tom para explorar um tema delicado, sensível e, por vezes, incompreensível pela maioria das pessoas: o suicídio. “A morte voluntária, tal como a loucura, revela-se como fato misterioso do nosso existir”, refletiu. 

 

Com o intuito de evidenciar o cenário preocupante relacionado às desordens mentais em todo o mundo, o professor Ileno Izidio da Costa (UnB) apresentou dados estatísticos da OMS (Organização Mundial da Saúde), segundo os quais 3% das pessoas possuem transtorno mental grave, enquanto 12% são diagnosticas com transtorno mental leve, de fácil tratamento, e 6% possuem transtorno mental associado ao uso de drogas. 

 

A maior parte dos especialistas falou sobre a perspectiva da Fenomenologia, uma metodologia e corrente filosófica que enxerga o mundo pela subjetividade da consciência. O professor Tommy Akira Goyo ((UFU) tentou entrar mais profundamente nesse debate epistemológico, referindo-se a um dos precursores da Fenomenologia, o matemático e filósofo alemão Edmund Husserl. A perspectiva fenomenológica pretende, de acordo com os profissionais da área, suspender pré-concepções, possibilitando tratar o tema do suicídio com o devido cuidado, enxergando-o e percebendo-o em seus diversos ângulos.

 

Após as apresentações dos professores, o debate foi aberto ao público. As perguntas foram dominadas por pesquisadores que já trabalham com o assunto. Para quem assistiu às apresentações despretensiosamente, principalmente servidores interessados no tema, o debate mostrou-se um pouco técnico.

 

 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 28 Novembro, 2019

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