BRICs enfrentam problemas diferentes ao crescimento

A divisão do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos deixou de ter validade conforme diversas nações passaram a evoluir economicamente e tomar parte importante no mercado mundial.
Por Elea Cassettari

    A divisão do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos deixou de ter validade conforme diversas nações passaram a evoluir economicamente e tomar parte importante no mercado mundial. E foi reunindo as quatro “promessas” econômicas, os principais países emergentes, que o grupo Goldman Sachs criou a sigla BRIC, que designa o grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e China.

    O surgimento do agrupamento do BRIC se deu a partir de uma projeção feita que prevê que em 2050, os quatro emergentes membros serão grandes nações desenvolvidas e determinantes na economia do planeta. Para Simão Davi Silber, professor da FEA-USP, “em um estudo de longo prazo, como é o caso, as probabilidades de você acertar são muito remotas, mas não deixa de ser um indicativo interessante e importante por formalizar o fato de que alguns países com rendimento sofrível e mediano começaram a crescer de repente”.

    Segundo Simão, o principal ponto em comum nos BRICs é a dependência nas exportações. O produto exportado russo – o petróleo –, por exemplo, dá ao país uma força além da economia, expandindo para uma influência geopolítica. “Todo o poder que o [Vladimir] Putin adquiriu nos últimos tempos é por isso”, diz o professor, que ainda acredita que o fator limitante para o crescimento da Rússia é a grande corrupção no país.

    No caso da China, há dois fatores limitantes: o primeiro é a questão de controle populacional. Simão explica que cada casal só pode ter um filho e se permanecer essa tendência, a longo prazo, as projeções demográficas indicam que a China vai ter uma redução de 300 milhões de habitantes. O segundo fator é que, até o momento, o crescimento chinês tem sido feito às custas de danos ao meio-ambiente.

    A Índia, por sua vez, enfrenta, segundo o professor, a barreira estrutural de sua sociedade. “Está sendo criada uma classe média, mas ainda há uma grande discriminação por castas. Isso limita o acesso de uma parcela importante da população indiana ao mercado de trabalho”, diz.

    Já o Brasil tem vastos recursos naturais, mas peca no “gigantismo do Estado”. Para Silber, o Estado brasileiro distribui muita desigualdade para a sociedade, ajudando a inibir o crescimento do país. “O Estado é muito grande para aquilo que ele faz, mais de um terço do que é produzido ele tira em impostos. Ele não devolve nada, como em qualidade da educação, da saúde e infra-estrutura. Gasta com ele mesmo, com juiz, com deputado”, afirma. 

    Nesse aspecto, o professor desacredita do discurso do presidente Lula de que o Bolsa Família ajudou na elevação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) por diminuir a desigualdade. Segundo ele, “quem ganha muito pouco, proporcionalmente, paga muito mais imposto do que rico”.

    “No Brasil se faz o oposto do que Robin Hood fazia na floresta de Sherwood. Metade da aposentadoria vai pra 10% dos aposentados, a maioria do setor público, são militares. O Estado brasileiro foi capturado pelas elites, que o usa pra seus interesses próprios”, critica Silber.

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 19 Fevereiro, 2008

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