Boaventura fala sobre qualidade de vida e produção acadêmica

César Costa

 

No último dia 17 de junho, o presidente da Comissão de Pós-graduação da FEAUSP, professor João Maurício Gama Boaventura, palestrou sobre o impacto da produção acadêmica na qualidade de vida no trabalho. A conversa foi mediada pela professora Ana Cristina Limongi-França, do grupo de Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho. 

O docente contou sobre sua trajetória e como questões relacionadas à qualidade de vida foram importantíssimas para suas decisões profissionais e na sua felicidade pessoal. Ele conta que num primeiro momento, mais envolvido com mercado, sua vida não estava muito boa e precisava tomar novos rumos. 

 

Mudanças e prioridades

 

No início de sua vida profissional, João Maurício contou que começou como empresário antes da mudança para a vida acadêmica: “Passei por uma transição de carreira e virei professor. Eu me formei na FEAUSP em 1986 e continuei estudando até ser mestre”.

Ele relembra na época que atuava na área de TI e tinha uma vida muito demandada. “Eu me casei nesse período e acabava que não tinha um tempo muito grande pro meu relacionamento conjugal”, reconheceu durante a palestra. 

Em um momento de sua carreira, João Maurício se sentiu infeliz com a situação. Sua demanda de trabalho era gigantesca, precisava viajar o tempo todo e não conseguia ficar em casa: “Me sentia preso ao negócio e ele me dava muitas preocupações. Então, resolvi fazer uma transição de carreira. Sabia que não ia sobreviver naquela condição e estava me angustiando estando muito preso em uma só esfera da minha vida”. 

Para essa grande mudança, João planejou tudo que precisava fazer. Depois, negociou com meus sócios sua parte da empresa e entrou no doutorado: “Passei por uma fase que eu fiquei basicamente 2001 e 2002 sem receita. Porém, tinha minhas reservas e anoto até hoje minhas despesas. E tudo que eu perdi em 2001, recuperei nos dois anos seguintes como formado”.

Ele recorda que foi um período que precisou ter frieza e disciplina para seguir seu plano. João sabia que se fizesse seu doutorado sem a devida concentração, teria como resultado um processo mal feito.

Por fim, resumiu que antes dependia da sua empresa e agora, se tiver algum problema em uma organização, tem outras opções para seguir a carreira: “Eu trato as organizações como meus clientes. Sempre procuro empresas onde eu consigo criar valor” 

 

Pré, atual e pós-pandemia

 

Toda sua apresentação estava pautada em três fases em que dividiu sua carreira: pré-pandemia, momento da pandemia e após a pandemia. Depois de trazer sua trajetória, o professor contou sobre sua vivência no atual momento. 

Uma de suas grandes preocupações é o excesso de trabalho enfrentado durante o isolamento social: “Só tenho cabeça pra aguentar isso pois sei que é uma fase temporária”. 

João Maurício contou que vários problemas apareceram nessa fase. O primeiro citado foi em relação à gestão de equipe. O modelo de gestão presencial acabou e está sendo preciso pensar numa forma de tele-liderança. 

Ele também destacou que é importantíssimo considerar o impacto da pandemia na vida das pessoas. O presidente da Comissão de Pós-graduação afirmou ter enfrentado vários desafios para encarar em tempo muito reduzido. “Tive que passar todas as bancas para a atividade remota e todas as disciplinas, tudo isso da noite para o dia”. 

A pós-graduação da USP não parou. Foi necessário para o docente pensar em como lecionar uma disciplina a distância mesmo ela estando homologada para ser presencial. Nesse período, a própria Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, o Capes, publicou aproximadamente 15 portarias em apenas um mês. 

Na conclusão da apresentação, João Maurício apontou os principais pontos que o auxiliam numa melhor qualidade de vida. Primeiramente, sempre o ajudou fazer o que ele gosta. Trabalhar como se fosse um sacrifício num mundo tão competitivo é uma péssima decisão na sua visão. Ele faz um trabalho que é um prazer, mas mesmo assim precisa de muita força de vontade e disciplina.

Outro ponto destacado foi a necessidade de realizar suas obrigações de forma bem-feita: retrabalho é problema, não compensa. João exemplificou e disse preferir ficar 10 minutos para construir um e-mail do que ter de corrigi-lo várias vezes. 

Por fim, mencionou a importância da boa gestão de grupo: “É melhor fazer as pessoas felizes. Ter trocas e se colocar na posição delas. Isso eu vejo como imprescindível”.

 

 

 

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 24 Junho, 2020

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