Juan Herstajn Moldau

Foto professor Juan Moldau

Juan Herstajn Moldau, filho de pai polonês e mãe austríaca, nasceu em Cochabamba, Bolívia, em 1945. Seus pais, refugiados do holocausto em busca da América, “aportaram” no coração do continente, exatamente onde não há saída para o mar. A permanência fugaz em território hispano-americano deixou como herança, acima de tudo, o nome, que Juan tratou de cunhar com propriedade a vida toda em vão. Herstajn, como gostaria de ser chamado, é o sobrenome paterno. No entanto, nunca ninguém se referiu a ele assim. Por convenção ou por pronúncia mais simples, Juan sempre foi conhecido por Moldau, seu sobrenome materno.

Assim sendo, este boliviano, naturalizado brasileiro, de raízes no oriente europeu, mudou-se muito cedo para São Paulo, onde cresceu, estudou, amou e torceu pelo Corinthians. Às vésperas de seu 54º aniversário, seu time foi Bi-Campeão Brasileiro. Comemorou o natalício com uma festa temática: só se entrava de preto e branco. E o bolo tinha a forma de um timão.

Economista, professor e pesquisador, Juan era capaz de debruçar-se anos sobre um mesmo assunto, escrevendo um artigo econômico sem a certeza de ser bem sucedido - e sempre o era. Entre seu legado acadêmico está a valoração da qualidade em detrimento da quantidade. Nunca foi obcecado por publicações constantes e volumosas. Permitiu-se muito tempo a meditar sobre todas as teses que defendeu. Gostava de desafios. Quando publicava no exterior, o público era mais qualificado, e o debate ganhava dimensões mais abrangentes e profundas.

Graduou-se pela FEA em 1967. Doutorou-se em economia pela Universidade de Vanderbilt, em Nashville, Tenessee, em 1976. Levou dois anos para qualificar e sete para concluir a dissertação. Neste meio tempo, passou a lecionar na FEA. Atuou como professor de Análises de Projetos até 1990. E foi coordenador do Convênio FIPE-BID e do Programa de Mestrado com especialização em Bancos de Desenvolvimento entre 1976 e 1982. Sua tese de livre-docência, defendida em 1986, ganhou o prêmio Haralambos Simeonides concebido pela ANPEC, dois anos depois. Chamou-se A Teoria da Escolha com Objetivos Irredutíveis e suas Implicações e diz-se que foi inspirada na seguinte frase de Simonsen: “O resultado teórico, ou é óbvio, ou está errado”. Era um homem que desconfiava do resultado, quando este agredia o senso comum. Dedicou-se à Teoria da Escolha e à Teoria da Produção.

Ascendeu a professor titular da FEA em 1992, onde seguiu lecionando e pesquisando por mais 10 anos. Era diabético, todavia faleceu de enfarto fulminante em 2002. Não teve filhos, mas escreveu muitos livros. Deixou Ana Maria, amor de sempre, e um artigo inacabado a ser publicado no estrangeiro, um dia.