Vivência é palco de conversa sobre permacultura

por Rafael Benaque

Quando cheguei ao auditório do FEA-5 para a palestra sobre permacultura o segurança avisou que o evento havia sido transferido para a vivência. Estranhei, mas acreditei nele. “Na vivência? Não acho que tenha nada sério na vivência” disse-me um conhecido quando perguntei onde era o lugar. Mas, chegando lá, a palestra já estava começando – mais para um bate-papo – com o geógrafo e educador agroecológico Bruno Cavalcante.

Já na entrada percebia-se o clima mais informal: pessoas sentadas nos puffs e no chão, o projetor sobre uma cadeira e a parede como anteparo. A intenção era deixar as pessoas mais a vontade para participar e interagir com a apresentação.

A permacultura é uma forma de cultivo que surgiu na Austrália, pelos idos da década de 1970, com o objetivo de “sintetizar as práticas ancestrais com os conhecimentos da ciência moderna”, conta Bruno. Dessa forma, a idéia é produzir respeitando as particularidades do ambiente.

O termo tem, segundo o geógrafo, duas etimologias possíveis. Uma delas seria a junção dos termos “agricultura” e “permanente”, uma vez que visa entrar em harmonia com o ambiente e, dessa forma, ser sustentável e duradoura. A outra seria da união de “permanente” e “cultura”, porque a alimentação e o cultivo são parte integrante da tradição de um povo.

Bruno acredita que a agricultura moderna não se relaciona bem com o ambiente. Para ele, o que se estabelece é uma “guerra contra a natureza”, contando até com “armas químicas”, os agrotóxicos, nas palavras do geógrafo. Para tal afirmação, ele se utilizou do exemplo do “Agente Laranja”, arma utilizada no Vietnã e que, segundo disse, é empregado nas lavouras para o controle de pragas.

No entanto algumas coisas não ficaram bem explicadas. O educador agroecológico destacou a bioarquitetura, isto é, a utilização de materiais e mão-de-obra locais e a adequação às características regionais nas construções. Como exemplo desse tipo de prática foram colocadas as casas de pau-a-pique, que são comprovadamente utilizadas como ninho pelos barbeiros, mosquitos que transmitem a doença de chagas.
 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 8 Dezembro, 2008

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