Último seminário organizado por Delfim este ano fala sobre sustentabilidade

por Rafael Benaque

Era o último seminário do ano organizado por Delfim Netto e o tema fazia coro com o recém realizado II FEAmbiental: A Teoria Econômica do Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável. O evento, realizado na Sala da Congregação, contou com a participação de Ronaldo Serôa da Motta, coordenador de estudos de mercado e regulação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e com o professor da FEA Ricardo Abramovay.

Um dos pontos abordados foi a questão da subistitutabilidade dos recursos naturais. Segundo a visão clássica, com o progresso técnico e investimento na economia, o estoque de capital se mantém constante, isso é, apesar do consumo de bens naturais, o desenvolvimento compensa essa perda o que, em outras palavras, é o slogan “A Economia é o limite da Economia”.

De acordo com Ronaldo, essa postura não leva em conta que há um limite para o desenvolvimento. “Até que ponto pode-se transformar capital natural em capital material? O progresso não é infinito”, questiona. Ricardo também acredita que essa forma de encarar a situação não funciona, uma vez que, segundo ele, “o sistema de preços tem dificuldade de alocar com eficiência os recursos naturais”.

Essa quantificação de tudo acaba dificultando a aplicação do conceito de sustentabilidade, já que podem ocorrer situações nas quais poluir é mais vantajoso economicamente. Além disso, segundo Ronaldo, investimentos públicos no campo ambiental nem sempre são vantajosos: “quem garante que esses recursos não seriam melhor alocados em outra área?”.

Outro problema é o isolamento da economia, ou seja, a crença de que esta área é auto-suficiente. Ao excluir esse campo dos demais, cria-se a idéia de que todo o resto são externalidades a serem contornadas e, entre estas, está o meio ambiente. “A economia se torna um sistema fechado em si mesmo”, afirma Ricardo. É preciso interiorizar os ecossistemas para que estes sejam considerados nos estudos econômicos, uma vez que certos danos são irreversíveis como, por exemplo, a poluição do ar ou a extinção de espécies de animais.

A questão do crescimento também foi discutida pelos pesquisadores. Para eles, o desenvolvimento dos países emergentes mostra que é impossível manter os padrões de consumo nos níveis atuais. “Quando nasce um americano, é equivalente ao nascimento de 32 africanos na subsaariana”, conta Abramovay. Além disso, segundo o professor, se todos consumissem como os estadunidenses, a Terra teria o equivalente a 72 bilhões de pessoas.

Dessa forma, ficou evidente a importância de uma visão econômica mais abrangente, multidisciplinar: “O saber fragmentado é insuficiente”, enfatiza Ricardo. Além disso, não é possível pensar em taxa de desconto quando o assunto é meio ambiente, uma vez que quem vai pagar pelo uso indevido dos bens ambientais hoje, são as gerações de amanhã.
 

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 3 Dezembro, 2008

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