Tese sobre comércio de látex no final do século XIX é apresentada na FEAUSP

Pesquisador da Harvard Business School analisa inelasticidade da borracha

O pesquisador Felipe Tâmega Fernandes, da Harvard Business School, apresentou na FEAUSP nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, o seu trabalho Stretching the Inelastic Rubber: Taxation, Welfare and Lobbies in Amazonia, 1870-1910, no qual é estudado a exploração de borracha na Amazônia entre o final do século XIX e no começo do século XX.

A pesquisa busca expor qual era a importância e poder que o Brasil possuía no mercado de borracha na época, além de analisar a taxação nacional sobre a borracha, se esta taxação era otimizada, caso contrário, por que não era?

Informações gerais sobre a exploração de látex foram oferecidas pelo professor. No período apresentado pelo trabalho, o Brasil possui em média aproximadamente 60% do mercado, sendo o restante, por exemplo, explorado na Amazônia de outros países, territórios asiáticos entre outros.

A taxa sobre exportação sobre o látex era de cerca de 18%, segundo os cálculos de Fernandes, a taxa ótima seria entre os valores de 72% a 93%, um valor muito além da taxa real da época. Com a taxa real da época, a borracha já significava cerca de 1,3% do PIB do Brasil. Caso a taxa ótima fosse utilizada, haveria um aumento de 3,4% na participação no PIB, totalizando 4,7%.

Possíveis explicações para a taxa não ser tão alta na época, Fernandes colocou algumas possíveis respostas. Entre elas, está a de que os estudos realizados por ele são feitos com análises a curto prazo. Fernandes imagina que talvez os economistas do governo da época tenham feitos estudos com analises a longo prazo, com resultados não tão positivos quanto os que ele obteve, o que causou uma manutenção da taxa.

Outra explicação vem de fatores internos, os estados da Amazônia e do Pará disputavam quem exportava mais látex na época e por isso reduziam impostos para incentivar a exportação. Com a "guerra fiscal" acontecendo entre os dois, haveria uma necessidade de aumento das taxas de exporatações simultaneamente por eles, o que não ocorreu.

Entre as conclusões do trabalho, Fernandes exibe a inelasticidade da demanda por látex no mercado, não permitindo um grande aumento de exportações por parte do Brasil. No entanto, apresenta este fato como algo bom, por certo ponto de vista. A inelasticidade, não causou supervalorização no produto, causando também grande correria para a produção do látex e com isso, posteriormente, alguma consequência como a queda repentina dos preços. O comércio do látex pelo Brasil, apenas caiu com o aparecimento das plantations na Malásia, coordenadas pelo Reino Unido.

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 16 Outubro, 2009

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