Seminário organizado por Delfim Netto discute a metodologia na economia

por Rafael Benaque

Existe uma tendência em todos os campos de estudo de se buscar um ponto de estabilidade, de equilíbrio. Essa procura por um método definitivo, algo que funcione em todas as circunstâncias, quando falamos em economia, é vã e infrutífera. Esse foi o tema do mais recente seminário organizado pelo professor emérito da FEA Delfim Netto e apresentado por Ana Maria Ferreira Bianchi e Ramón Garcia Fernandez. 

“Não existe ‘A Metodologia’, ou uma metodologia correta, que garanta o funcionamento da ciência econômica”, afirma Ana, docente da FEA. Segundo ela, a complexidade da sociedade torna difícil que se façam previsões e se estabeleçam métodos de estudo perenes. Para Delfim, essa dificuldade não é um “privilégio” das teorias econômicas: “O problema das ciências sociais é que seus átomos pensam”, brinca o professor.

Essa necessidade de se encontrar uma teoria que seja duradoura acaba dificultando a incorporação de novas idéias ao “mainstream” da economia. Segundo os debatedores, apesar das evidentes transformações, existe uma resistência às ditas “teorias heterodoxas” que, para Ana, “não estão surgindo independentemente da economia de carne e osso”.

A professora também acredita que se subestime, muitas vezes, o papel das emoções nas decisões econômicas. Ao contrário do que afirma a teoria da escolha racional, em momentos de tensão as pessoas agem no “calor do momento”. É o caso de períodos de crise como o que o mundo atravessa agora e que, com medo de maiores prejuízos, os investidores fogem e causam grandes perdas nas bolsas.

Ambos os apresentadores concordam que há também outro problema para a aceitação das teorias heterodoxas: o formalismo. Para que seja vista como teoria, uma idéia precisa ser posta em linguagem tradicional, matemática. “As heterodoxias só são levadas a sério se tratadas de forma ortodoxas. Se não tiver linguagem formal, não é teoria”, conta Ramón, docente da FGV. 

Os professores também concordam que é necessária uma visão mais pluralista na teoria econômica. “Pluralismo não quer dizer esquizofrenia, mas uma voz única pode errar e, se errar sozinha, temos uma crise”, verifica Ramón.
 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 13 Outubro, 2008

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