Seminário discute a importância da história no pensamento de J.S. Mill

No dia 21 de setembro ocorreu na FEAUSP, o seminário “A Questão da Terra na Irlanda: uma ilustração da importância da história no pensamento de J.S. Mill”, com apresentação da Profa. Dra. Laura Valladão de Mattos.

O seminário teve como objetivo enfatizar a importância que a história assume nas reflexões econômicas de J.S.Mill, analisando especialmente a sua posição no debate que se travou no século XIX sobre qual deveria ser a forma de apropriação da terra na Irlanda. J.S.Mill é conhecido principalmente entre os economistas por sua defesa de uma metodologia dedutiva e abstrata aplicada à economia política. No entanto, não se pode ignorar a importância dos fatores históricos e culturais presentes em seus trabalhos. “Mill é um economista muito atento às especificidades históricas”, explicou a professora. “Isso fica bastante claro em seus artigos publicados sobre o caso irlandês, um assunto muito importante para a época. Ele procurou mudar a opinião dos economistas ingleses, que acreditavam que não se deveria mexer no direito de propriedade dos grandes latifundiários”, acrescentou.

Em meados do século XIX, a Irlanda ainda era um país majoritariamente agrícola, com grande parte de suas terras nas mãos de poucos latifundiários e arrendadas para os camponeses em um sistema de cottier, onde o contrato de arrendamento era firmado diretamente entre o proprietário da terra e o agricultor, e o valor da renda era totalmente determinado pela concorrência pela terra – sem a influência moderadora da lei ou dos costumes. O resultado do funcionamento dessa forma de apropriação da terra foi desastroso em termos econômicos, sociais e políticos.

Na década de 1840, com a quebra de sucessivas safras, esse sistema entrou em colapso e causou o que ficou conhecido como “a grande fome irlandesa”, matando milhões de camponeses e causando uma migração em massa para a América do Norte e para a Inglaterra.

J.S.Mill posicionava-se contra a tendência dos economistas da época, que propunham a transposição para a Irlanda das leis e instituições que foram bem sucedidas na Inglaterra, sem se atentar para as especificidades locais. Havia a ideia de que os latifúndios são mais produtivos e que se deveria expulsar os pequenos arrendatários e ampliar o investimento na terra, conforme acontecia na Inglaterra. Se por um lado, essa solução poderia de fato resolver o problema da improdutividade e da fome, se criaria um problema social muito grande, com milhares de camponeses desabrigados que não poderiam ser absorvidos pelo mercado de trabalho fabril.

Mill, em contrapartida, argumentava em defesa da pequena propriedade camponesa, fundamentada na visão de que esta instituição seria mais compatível com as particularidades históricas da Irlanda e que seria, portanto, mais adequada para resolver os graves problemas econômicos, sociais e políticos existentes no país. “Para Mill, o fato de os ingleses não conhecerem a realidade da Irlanda, e de considerarem as suas instituições como universalmente válidas, explicaria muitos dos equívocos praticados pelos ingleses na Irlanda”, concluiu a professora.

O artigo pode ser encontrado no link: http://www.fea.usp.br/feaecon/media/fck/File/09_LauraValladao_Questao_Te...

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Autora: Isabelle Almeida Dal Maso

Foto: Guilherme Queiroz

Data do Conteúdo: 
Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

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