Projeto Nereides vai à Colômbia depois da ida ao México

Por César Costa

Projeto Nereides no México

Criado em 2017, após o Núcleo de Economia Regional e Urbana da USP (Nereus) completar 15 anos, o projeto Nereides visa levar técnicas de análise regional para centros fora do núcleo duro da ciência. No caso do Brasil, os estados que não estão no eixo Rio-São Paulo. No mundo, os países da América Latina e da África.

A última edição do projeto, na Cidade do México, surgiu de uma parceria com acadêmicos do Instituto Tecnológico Autónomo de México (ITAM) e com a Universidade Ibero-Americana (Puebla-ME). O professor titular do Departamento de Economia da FEA, Eduardo Haddad, e o pós-doutorando da FEA, Inácio Araújo, foram os dois pesquisadores do Nereus que viajaram para o país da América do Norte.

 “Eles (acadêmicos mexicanos) tinham interesse em desenvolver modelos inter-regionais de insumo-produto para o México, bem como modelos espaciais de equilíbrio geral computável” disse Haddad em entrevista à FEA. “Houve um processo de trabalho em colaboração para a elaboração e operacionalização dessas ferramentas. O que nós fizemos, no âmbito do Nereides, foi organizar um workshop de dois dias para que especialistas de outras instituições mexicanas também pudessem se apropriar dessas técnicas para as utilizarem em trabalhos acadêmicos na avaliação de políticas econômicas”, recorda.

A agenda no México incluiu também uma reunião de trabalho com integrantes do grupo de pesquisa liderado pelo professor Mario Ordaz Schroeder, do Instituto de Ingenería da Universidad Nacional Autónoma de México. O objetivo foi dar continuidade a outra parceria que inclui o desenvolvimento de modelos integrados para avaliação de impactos econômicos de riscos sísmicos no Chile e no México, o que tem possibilitado o entendimento e desenho de estratégias de modelagem para a avaliação de impactos de desastres nesses dois países.

Próxima edição

Depois do México, o próximo destino do Nereides é a Colômbia, na cidade de Cartagena, no período de 19 a 21 de março. “Esse é um projeto que começou no curso de pós-graduação que eu ministro, no qual ensino técnicas de modelagem de larga escala em economia para avaliação de impactos regionais. Cada ano escolho um país para que a gente possa aplicar os modelos”, explica o professor Haddad.

No ano de 2018 o país escolhido pela disciplina foi o Chile e os resultados foram apresentados em Viña del Mar, no litoral chileno. “Consolidamos uma parceria com pesquisadores da Universidad Adolfo Ibanez que financiou toda a viagem dos alunos para participar do workshop”, lembra Haddad.

A escolha da Colômbia neste ano se deu em função da aproximação com o Banco de La República, Banco Central do país. Haddad conta: “Há uma parceria desde o início do curso. Em agosto do ano passado, recebemos a visita de um pesquisador do Banco que trouxe muitas informações e falou dos problemas regionais da Colômbia, levantando algumas perguntas relevantes. Ao longo do curso, nós desenvolvemos os modelos, as aplicações deles e agora o Banco vai levar todos os alunos a um workshop em Cartagena”.

Ainda de acordo com o professor, esse evento contará com oito trabalhos apresentados por alunos da FEA e será uma oportunidade de interagir com pesquisadores colombianos.

Semelhante na duração, tendo dois dias assim como foi o workshop no México, o projeto terá alguns diferenciais neste ano, uma vez que a visita anterior foi focada na apropriação tecnológica das ferramentas desenvolvidas pelo Nereus. Agora em Cartagena o foco será nas aplicações das ferramentas e nas discussões com pesquisadores colombianos sobre o alcance das mesmas para tratar de questões regionais relevantes para o país.

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 7 Fevereiro, 2020

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