Professor da FEAUSP, Pedro Duarte, apresenta seminário sobre desconto intertemporal

Pesquisa é apresentada em seminário acadêmico para alunos e professores da FEAUSP

O professor Pedro Garcia Duarte, docente da FEAUSP apresentou sua pesquisa que ainda está em aprofundamento, em um seminário acadêmico. A apresentação do trabalho foi na última sexta-feira, dia 6 de novembro. O paper se chama A path through the wilderness: The time discounting in growth models. O professor iniciou ressaltando a importância de poder apresentar seu trabalho e debatê-lo com os colegas da FEAUSP.

A pesquisa consiste em analisar a trajetória, do ponto de vista do pensamento econômico, da utilização da taxa de desconto em decisões intertemporais. A grande questão para o professor é como que o conceito passou de eticamente inaceitável, como era para Ramsey nos anos 20, e passou a ser algo totalmente indispensável tecnicamente hoje. Para essa análise, o professor apresenta informações desde as épocas em que o conceito não era utilizado, passa pelos anos 20 a 40, quando o olhar sobre a taxa de desconto começou a mudar, chegando até o papel fundamental que ela tem hoje.

O professor Pedro Duarte iniciou comentando a tradição de Cambridge em condenar o uso do desconto. Comentou sobre algumas explicações filosóficas que baseavam a condenação, como por exemplo Pigou, que dizia que a utilização da taxa de desconto priorizaria gerações atuais nos cálculos, e que não se pode dizer qual grupo de pessoas merece ser priorizado em detrimento de outro. Tal atitude seria eticamente condenável, tornando assim o uso da taxa condenável também. Entretanto, em Ramsey, aluno de Pigou, existe uma certa ambigüidade de tratamento, uma vez que a taxa de desconto não é utilizada para estudar o problema do ponto de vista social mas o autor admite a sua utilização quando se trata de analisar o problema de alocação intertemporal de recursos sob a ótica individual.

É através da análise dos anos 20 aos anos 40, e seus modelos dinâmicos de economia que o professor analisa a mudança nos olhares sobre a taxa de desconto. Nas discussões acerca da maximização de lucros por uma firma, pouco antes da crise 29, Ross utiliza a taxa de desconto nos cálculos. O matemático dá como explicação que aguardar é um custo para a firma e deve, portanto, haver um desconto por isso. Com isso, durante estas décadas grupos de economistas e matemáticos passam a utilizar a taxa, enquanto que outros continuam a ser contrários ao uso.

Hoje a utilização da taxa de desconto como ferramenta técnica se faz indispensável, no entanto o professor comentou que alguns ainda criticam eticamente sua utilização, mas isto ainda será aprimorado nas pesquisas. Para o professor Pedro Duarte, algumas influências para que a taxa de desconto se tornasse indispensável foi a axiomatização de preferências temporais. Outra influência importante foi a utilização de métodos recursivos na economia, para o qual o requisito técnico de uma taxa de desconto torna-se fundamental para a utilização dos teoremas de contração e de ponto fixo. Com o maior uso da taxa de desconto na economia, o professor acredita explicar um pouco da matematização dela nas últimas décadas.

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 9 Novembro, 2009

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