Palestra na FEA aborda efeitos do Bolsa-Família nos municípios

No dia 14 de setembro, o Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (NEREUS) organizou um evento em homenagem ao professor Naércio Aquino Menezes Filho, em reconhecimento a sua expressiva contribuição às atividades de pesquisa do Núcleo e em celebração por sua posse na Academia Brasileira de Ciências, como membro titular em Ciências Sociais, sendo hoje o 4˚ economista agraciado com a honraria. Na ocasião houve a apresentação do trabalho “Efeitos do Programa Bolsa-Família sobre Indicadores Municipais”.

“Sempre procurei publicar temas relevantes para o Brasil e não apenas para publicar internacionalmente. Às vezes você escolhe o tema pela facilidade de publicar, mas essa não é uma boa estratégia. O que eu tentei fazer desde o início foi procurar temas relevantes para o país”, salientou o professor que hoje é reconhecido como um dos pesquisadores mais importante do Brasil na discussão sobre o impacto da abertura econômica no mercado de trabalho, além de ter pesquisas importantes sobre OI (Organização Industrial), e nas questões de desigualdade salarial e de educação.

Instituído em 2002 pelo governo Lula, o bolsa-família é a principal bandeira do governo petista e o maior programa de redistribuição de renda do mundo. Hoje o programa conta com um orçamento de R$27,1 bilhões e ajuda 14 milhões de famílias em situação de vulnerabilidade, com um valor médio de R$ 167,95.

A palestra do professor Naércio focou principalmente os resultados de uma longa pesquisa feita sobre os efeitos do programa nos vários indicadores municipais. O objetivo era avaliar o impacto real do bolsa-família sobre o PIB e seu papel na redução da pobreza do país. “O bolsa-família é um dos programas com mais consenso entre os economistas. Ele ajuda as pessoas mais pobres a curto prazo, porém ainda não sabemos qual seu efeito a longo prazo. Talvez ele não seja suficiente para romper com o vínculo real da pobreza”, explicou o professor. A pesquisa, que ainda está em andamento, teve alguns primeiros resultados já esperados. Os dados analisados pelo professor, que abrangiam o período de 2004 a 2010, mostraram vários impactos positivos sobre o PIB e a renda per capita. Além disso, o bolsa-família reduziu a pobreza e gerou aumento da frequência escolar, apesar de concomitantemente também ter ocorrido uma diminuição das médias nas notas e uma queda nos índices de educação. No entanto, é preciso avaliar a geração de déficit público e considerar se os mesmos recursos empregados no bolsa-família também não funcionariam de forma mais eficiente se fossem investidos em outros programas.

Autora:  Isabelle Almeida Dal Maso

Data do Conteúdo: 
Quinta-feira, 17 Setembro, 2015

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