Oferta de emprego varia com recebimento do Bolsa Família

por Rafael Benaque

Não dê o peixe, ensine a pescar. Esse é um ensinamento popular muito utilizado por aqueles que criticam o Programa Bolsa Família do governo federal. Segundo eles, o recebimento desse benefício criaria algo como um “efeito-preguiça”, ou seja, uma redução na oferta da mão de obra dos que estão inseridos no programa. Não é o que mostra, pelo menos com relação ao engajamento das mães beneficiadas no mercado de trabalho, a pesquisa da ex-aluna da FEA e atual Assessora Técnica em Pesquisas Educacionais da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo Priscila Albuquerque Tavares.

Segundo a pesquisadora, o recebimento do Bolsa Família, ao contrário do que crêem os críticos, faz crescer a oferta de mão de obra das mães. A explicação é bastante simples: “Para receber o benefício, as crianças precisam estar na escola. Assim, deixam de trabalhar, ou reduzem sua jornada, e a mãe, para cobrir essa queda na receita familiar, entra para o mercado de trabalho”, conta.

Muito disso se deve ao fato de o pagamento dado pelo governo ser menor do que a criança recebia trabalhando. Além disso, a pesquisa também mostra, mesmo sem ser esse seu objetivo, uma grande quantidade de crianças ainda sendo forçadas a trabalhar.

O fato de as crianças estarem indo a escola, também aumenta, para Priscila, a disponibilidade das mães para trabalhar. “Com os filhos estudando, a mãe não precisa tomar conta deles. Assim, pode passar a oferecer sua mão de obra”, afirma.

Ao fazer com que as crianças freqüentem a escola, o programa Bolsa Família se torna um instrumento para reduzir as desigualdades no futuro. Com o mercado de trabalho inchado, a escolaridade é um fator muito importante na concorrência por vagas e, se ficassem presas ao trabalho infantil, essas crianças dificilmente teriam boas chances quando adultas. Com o recebimento do benefício, no entanto, elas podem se preparar melhor para essa competição.

O programa Bolsa Família, mais que um auxílio para pessoas em dificuldade, funciona como um investimento em capital humano, em educação para que, quando mais velhas, essas crianças, retiradas das estatísticas de trabalho infantil, possam ensinar seus filhos a pescarem.

 

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 10 Outubro, 2008

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