Especialista em sustentabilidade faz palestra sobre consumo consciente

por Rafael Benaque


“Seu descaso é tanto que nem reparou que essa imagem está de cabeça para baixo”

Foi com essa imagem que Aron Belinky, consultor especialista em sustentabilidade socioambiental do Instituto AKATU, iniciou sua palestra O Consumo consciente e os desafios da inclusão social no II FEAmbiental. Formado em administração pública pela FGV e em geografia pela USP, Aron falou sobre o consumo consciente e os excessos cometidos pela sociedade nas últimas décadas.

Segundo o consultor, a demanda cada vez maior por bens de consumo tem gerado uma situação difícil de reverter, isso porque o crescimento econômico e industrial fez com que os recursos naturais fossem utilizados em um ritmo insustentável. “Já virou lugar comum falar que nós estamos utilizando mais do que o planeta pode produzir”, lamenta. Atualmente utilizamos 30% a mais da capacidade da Terra e, se esse ritmo de crescimento continuar, em 2050 já excederemos em 60% esse limite.

Dados trazidos por ele mostram que cada habitante do planeta teria “direito” a 1,8 hectare, mas consome, em média, 2,2. Nos EUA, por exemplo, estão disponíveis 4,7 hectares por habitante, mas se consomem 9,6, enquanto que no Brasil a população, que tem disponível 9,9 het./hab., consome 2,1 het./hab. “Se todos consumissem como os americanos, não haveria mais planeta em pouco tempo”, diz.

Apesar da emergência do assunto, é muito difícil fazer com que as empresas mudem sua postura. Para Aron, o crescimento e o lucro deveriam ser um meio para melhorar a qualidade de vida das pessoas, não o fim absoluto. “Se a responsabilidade social depender apenas das boas intenções dos empresários, ela vai ter vida curta”, ironiza. Para ele, é preciso conscientizar os consumidores, fazendo com que esses passem a ser um agente indutor sobre as grandes corporações – que representam 29 das 100 maiores economias do planeta.

Aron também defendeu a educação financeira mais voltada para o resultado e não para o instrumento, isto é, para a qualidade de vida e não apenas para o dinheiro. De acordo com o consultor, o aumento do consumo não gera um crescimento proporcional na qualidade de vida: “Miséria traz infelicidade, mas, uma vez atingido o básico para se viver com conforto, o aumento do consumo não faz as pessoas mais felizes”, explica.
 

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 3 Dezembro, 2008

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