Economista Arthur Lewis é homenageado em seminário na FEA

Mesa e público numeroso

Dando continuidade à série de seminários “Desenvolvimento Econômico Brasileiro”, que vem ocorrendo ao longo do ano na FEA, os professores Fernando Rugitsky e Laura Carvalho discutiram a obra do economista britânico William Arthur Lewis, que completou centenário de nascimento em junho deste ano. O seminário aconteceu no dia 18 de agosto. Gilberto Tadeu Lima e Delfim Netto foram responsáveis por comentar as exposições dos professores.

Arthur Lewis nasceu em Santa Lúcia, no Caribe, quando a ilha era ainda possessão britânica. Foi agraciado com o Nobel da Economia em 1979, sendo o único negro a receber o prêmio para a essa categoria. Também foi, como lembrou o professor Gilberto Tadeu Lima, o primeiro professor negro a dar aulas em uma Universidade britânica. Seu principal trabalho, “Desenvolvimento com oferta ilimitada de trabalho”, publicado em 1954, foi debatido pelos professores. O professor Fernando Rugitsky destacou que, mesmo a obra de Lewis não se aplicando de forma literal à maior parte das economias do século XXI, “ela ainda nos permite fazer as perguntas corretas”. Ele acredita que não se pode olhar para suas contribuições “como um modelo fechado, e sim como um arcabouço”. Delfim Netto disse que “o modelo de Lewis é, obviamente, datado”, mas que pode oferecer uma série de bases para as economias atuais.

O trabalho de Lewis sobre oferta ilimitada de trabalho é, segundo Rugitsky, baseada em um dualismo fundamental: o setor de subsistência, mais pobre e atrasado em tecnologias, e uma área capitalista, mais mecanizada e responsável por atrair trabalhadores antes dedicados à subsistência. Nesse modelo econômico, o setor de subsistência seria o principal, por conta da denominada oferta ilimitada de trabalho que ele mantém. Parte da mão de obra poderia migrar do setor de subsistência para o capitalista sem que a produtividade fosse prejudicada, já que a produção de um trabalhador seria reposta pelos restantes, que reorganizariam sua rotina de trabalho. O setor capitalista não reúne apenas as indústrias, mas também o agronegócio.

A transição dos trabalhadores de subsistência para o setor capitalista seria capaz de expandir a produção, elevando, assim, a massa de lucros e a massa de poupança, ampliando investimentos e gerando, por fim, acumulação de capital. O “ponto de virada” seria o esgotamento da disponibilidade de trabalho para migrar da subsistência para o capitalismo, aumentando salários que antes eram constantes e capazes de garantir a subsistência apenas. O professor Rugitsky explica que “não é dado um bolsão de mão de obra ilimitada por muito tempo”. O “ponto de virada” geraria, ao final, o término do setor de subsistência.

A professora Laura Carvalho diz que o fato da área de serviços, e não das indústrias, ser hoje o principal absorvedor de mão de obra nas áreas urbanas muda completamente o quadro criado por Lewis, já que a demanda por serviços é elástica, ou seja, variável, e a necessidade de capital de trabalho é bastante elevada. Ela acredita que o foco em serviços, as mudanças no consumo e a queda na produtividade seriam capazes de gerar um “ponto de virada” no sistema.

Autora: Letícia Paiva

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 25 Agosto, 2015

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