Debate discute mercado de carbono

por Rafael Benaque

Os gases de efeito estufa (GEE) são acusados de serem um dos principais causadores do aquecimento global, tema tão presente na mídia atualmente. Em específico, o gás carbônico (CO2) tem sido alvo de diversos projetos para reduzir sua emissão, como o Protocolo de Kyoto, que estipulou metas de diminuição de sua liberação e criou o mercado de carbono. Esse foi o tema do debate realizado no auditório do FEA 5, durante o II FEAmbiental, realizado entre os dias 3 e 6 de novembro. Os participantes da discussão foram Flavio Gazani, presidente da recém criada ABEMC (Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono), Demóstenes Barbosa, diretor ambiental da AES Tietê e a coordenadora de sustentabilidade e impacto ambiental da Natura, Ines Cristina Francke.

O Protocolo de Kyoto, adotado em 1997 mas que passou a vigorar apenas em 2005 com a ratificação da Rússia, visa reduzir, entre 2008 e 2012, as emissões de gás carbônico dos países desenvolvidos em 5% com relação ao níveis de 1990. Uma das medidas tomadas nesse sentido foi a criação dos MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) para os países que não tinham obrigações com o Protocolo. A idéia é estimular esses Estados a realizar projetos de desenvolvimento sustentável que diminuam a produção de CO2 ou capturem essa poluição, obtendo assim as Reduções Certificadas de Carbono (REC ou CER na sigla em inglês) que podem ser comercializadas com países que precisem atingir uma cota de decréscimo na liberação desse gás.

Segundo Flavio, o mercado de carbono é muito importante para reduzir o impacto do gás carbônico no ambiente. Demóstenes foi ainda mais enfático: “Se ainda podemos ter alguma esperança em recobrar os danos já feitos, essa esperança é o mercado”. Ele também defendeu bastante os projetos florestais como meio para participar desse comércio.

No final do debate, o diretor da AES Tietê convidou Marcelo Rocha, da empresa de consultoria em sustentabilidade Fábrica Éthica Brasil, a participar da conversa. Para este, no entanto, os projetos florestais tem que ser vistos com restrições. Segundo Marcelo, as emissões de CO2 no mundo se devem principalmente à queima de combustíveis fósseis e não ao desmatamento e queima de florestas, como ocorre aqui. Além disso, Kyoto não aceita a conservação de florestas como crédito de carbono.

Marcelo também não vê as negociações de créditos de carbono com tão bons olhos. “O mercado é uma ferramenta importante que deve ser utilizada. Mas como os mercados são criados e regulamentados pelos homens, haverá limitações e falhas”, afirma.
 

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 14 Novembro, 2008

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