Doutorado - Experimentos no escritório: Uma história da microeconometria e a avaliação de programas em Princeton

Tipo de evento: 
Defesa
Data e hora: 
06/10/2021 - 13:30 até 16:30

 

Arthur Brackmann Netto

Doutorado - Experimentos no escritório: Uma história da microeconometria e a avaliação de programas em Princeton

Orientador: Prof. Dr. Pedro Garcia Duarte

Comissão: Profs. Drs. Orley Clark Ashenfelter, Kevin Douglas Hoover e Marcel Boumans

Transmissão: https://youtu.be/23Ec20CQvTs

Resumo*

Esta tese tem a intenção de se somar aos esforços recentes de economistas e historiadores em contar a história da microeconometria. Isso acontece por meio de uma narrativa que conecta a ascensão da avaliação de programas no governo dos Estados Unidos e na universidade Princeton. Começando com o fato de que a maioria dos economistas não tem nenhum controle sobre o processo de geração dos dados utilizados em suas análises aplicadas, o argumento se desenrola para destacar o papel dos econometristas como observadores passivos. A análise se desenvolve destacando como esse conceito resume a responsabilidade da econometria por dados não experimentais. A tese narra como, desde a década de 1950, os economistas sabem que não podem intervir nos dados que analisam e devem estar preparados para lidar com qualquer problema inerente à coleta externa de dados. Usando métodos bibliométricos e fontes secundárias, a tese argumenta que a microeconometria emergiu da mudança de compreensão das observações passivas como simultaneidade para as observações passivas como variáveis ​​omitidas. Este argumento holístico é contrastado com uma microhistória das instituições governamentais dos EUA para avaliação de programas e da Seção de Relações Industriais de Princeton. Assim, conta como, na década de 1970, a pobreza estava aumentando nos Estados Unidos e os economistas estavam mais preocupados com ela do que com o aspecto teórico e filosófico das observações passivas. Nas organizações do governo dos Estados Unidos, a avaliação do programa passou de um tema qualitativo nas ciências sociais para um problema quantitativo dentro da economia. A tese segue de perto esse desenvolvimento usando metodologias de processamento de linguagem natural, arquivos do governo dos Estados Unidos e histórias orais de membros do Office of Economic Opportunity. A partir dessa narrativa, a tese mostra como a avaliação de programa sai do governo e vai para o interior de um departamento de economia, mais especificamente a Seção de Relações Industriais de Princeton. Olhando de perto o departamento, a tese contrasta as soluções de dois jovens estudiosos de Princeton para o problema das variáveis ​​omitidas, o modelo de seleção de James Heckman e o estimador de diferenças em diferenças de Orley Ashenfelter, para demonstrar que o confronto entre randomistas e modeladores estruturais é um artifício criado a partir de duas soluções para o mesmo problema. Bibliometria (utilizando a metodologia inovadora de redes relacionadas), evidências primárias e secundárias demonstram que as soluções não eram concorrentes nos primeiros dias de variáveis ​​omitidas, e que a concorrência resultou de uma mudança de contextos dos principais autores. Por fim, ainda de um ponto de vista de dentro do departamento, a partir de nove entrevistas realizadas com atores da Seção de Relações Industriais das décadas de 1970 e 1980, a tese analisa como os experimentos naturais se desenvolveram gradativamente dentro do departamento, sem revoluções ou reviravoltas. A tese conclui mostrando como as tarefas corriqueiras da vida acadêmica de Ashenfelter e seus alunos transformaram a economia.

*Resumo fornecido pelo autor

Departamento:

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