FEA realiza 16˚ Congresso USP de Controladoria e Contabilidade

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Uma das áreas que mais ganham destaque, tanto no mercado de trabalho como nas discussões públicas, Contabilidade é um curso que cresce em relevância para se pensar a administração de governos e empresas. Pioneira na divulgação da pesquisa na área, a FEAUSP em parceria com a Fipecafi, realizou entre os dias 27 e 29 de julho, o XVI Congresso USP de Controladoria e Contabilidade e o XIII Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade. Organizados pelo Prof. Dr. Guillermo Oscar Braunbeck, os eventos contaram com palestras internacionais dos pesquisadores Ervin Black (University of Oklahoma), Giorgio Gotti (University of Texas at El Paso), David Stout (Youngstown State University) e Michael Williamson (University of Illinois at Urbana-Champaign).

Em sua 16˚ edição, o Congresso USP de Controladoria e Contabilidade já é um evento consolidado no país e também é o maior congresso sobre o tema na América Latina. Com o objetivo principal de promover o intercâmbio de estudos e experiências, bem como a divulgação de ideias sobre a teoria e a prática da Controladoria e da Contabilidade, aproximando profissionais deste segmento e pesquisadores acadêmicos, a temática para este ano foi: “Building Knowledge in Accounting”. Durante a palestra de abertura do evento, o professor Braunbeck destacou que nos últimos 15 anos, houve um grande aumento na quantidade e na qualidade das pesquisas acadêmicas na área. “Devemos comemorar sim, esse crescimento do conhecimento cientifico, mas nós, como cientistas, temos que ser sempre críticos em relação ao nosso próprio trabalho”, disse. A contabilidade tem sido muito discutida na mídia durante o último ano, casos como as pedaladas fiscais, fraudes e corrupção no governo, levantaram questões para o grande público que estão intimamente ligadas à falta de transparência na controladoria das contas públicas. Nesse sentido o professor Braunbeck destacou: “Temos uma grande contribuição a dar à sociedade. Precisamos e podemos fazer mais e me parece que essa é uma ótima oportunidade de levarmos essas discussões ao público”.

O professor Gerlando Lima, chefe do departamento de Contabilidade e Atuária da FEAUSP ressaltou que “a realização de eventos como esse é muito importante para a divulgação de novas pesquisas; este ano foram mais de 500 trabalhos enviados”.

Novos Desafios

Prof. Alexsandro Broedel LopesUm dos destaques da abertura, foi a palestra do professor Alexsandro Broedel Lopes,“Contabilidade: paradigmas de atuação acadêmica e profissional”. Broedel destacou que o conhecimento contábil nunca foi tão relevante nos altos níveis coorporativos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 50% dos CFO’s (Chief Financial Officer ou Diretor Chefe Financeiro) têm formação em contabilidade. “Hoje a contabilidade é a área com os melhores prospectos para os estudantes. Existe uma grande demanda do mercado e pouca mão de obra qualificada e a formação contábil passou a ser um diferencial até para outras áreas”, explicou.

Broedel, porém, destacou que infelizmente muitas vezes a pesquisa na área contábil não é tão relevante quanto poderia ser. “Pesquisas costumam usar modelos simplificados que não levam em consideração aspectos importantes da tomada de decisão”, disse. Para o professor, os modelos de incentivos acadêmicos vigentes não premiam a relevância dos trabalhos para o mercado e os pesquisadores não são motivados a estudar aquilo que os usuários precisam. “Existe um grande distanciamento entre a academia e o mercado”, afirmou.

Broedel também discorreu brevemente sobre o surgimento da pesquisa contábil, que é umas das áreas mais recentes das ciências humanas, tendo surgido em meados dos anos 50 nos Estados Unidos. “A contabilidade buscou inspiração na economia, mas o modelo de pesquisa econômico se preocupa muito mais com a teoria do que com a prática e não é apropriado para uma disciplina profissional como a contabilidade”, disse. Para o professor, os critérios de pesquisa em contabilidade deveriam ser diferentes. “A pesquisa contábil precisa se adaptar à realidade da profissão. Minha reflexão é: precisamos trabalhar uma agenda de pesquisa que dialogue mais com as questões do dia a dia”, concluiu.

Matéria: Isabelle dal Maso
Fotos: Caetano Ribas

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 2 Agosto, 2016

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