Mestrado - Quem tem medo de matemática? Estudo sobre como a atitude em relação à matemática impacta estudantes das áreas de negócios

Tipo de evento: 
Defesa
Data e hora: 
17/07/2019 - 09:30 até 12:30

 

Denise De Freitas Bittar-Godinho        

Mestrado - Quem tem medo de matemática? Estudo sobre como a atitude em relação à matemática impacta estudantes das áreas de negócios

Orientadora: Profª Drª Silvia Pereira de Castro Casa Nova

Comissão: Profs. Drs. Francisco Henrique Figueiredo de Castro Junior, Edgard Bruno Cornacchione Junior, Gilberto José Miranda e Nilson José Machado                            

Local: Sala 217, FEA-5

Resumo*

Quem tem medo da matemática? Essa pergunta me intrigou a vida inteira, eu que sou uma amante dos números. Mas, para além de meu interesse pessoal, estudos anteriores apontam que a dificuldade em lidar com conceitos matemáticos tem se refletido de forma expressiva nos erros conceituais cometidos pelos estudantes de Ciências Contábeis (Sanchez, 2013). Na formação em áreas de negócio, como Administração e Contabilidade, em que a carga das disciplinas obrigatórias da grade curricular do curso de graduação que envolvem matemática, pode alcançar  42% em Contabilidade e 29% em Administração na instituição estudada. Assim, o objetivo deste trabalho é investigar o impacto que a atitude em relação à matemática tem sobre estudantes de áreas de negócios, ao buscar identificar e entender os mecanismos de compensação que adotam para sobrepujar suas dificuldades ao longo da sua formação. Para isso, foi selecionado um grupo de estudantes de uma disciplina introdutória de contabilidade, de uma instituição pública de ensino. Para esse grupo, apliquei um questionário que mede a atitude em relação à matemática, usando o modelo adaptado e validado por Brito (1998), além de questões adicionais para compreender o perfil de cada estudante e sua relação precedente com a matemática. O questionário permitiu obter, em uma escala de atitudes em relação a matemática, o nível de aversão ou afinidade matemática do respondente. A partir do cruzamento entre os resultados da aplicação do questionário de atitude em relação à matemática e do rendimento acadêmico do estudante na disciplina, classifiquei-os em seis grupos. Em um segundo momento, alguns dos estudantes foram entrevistados de forma a aprofundar a compreensão de sua relação com a matemática e as estratégias adotadas para obter aprovação nas disciplinas do 1º e 2º semestres do curso, identificadas como tendo maior grau de conceitos matemáticos. As entrevistas realizadas permitiram ilustrar, exemplificar e corroborar os conceitos apresentados no referencial teórico diretamente ligados à manifestação da afinidade ou aversão à Matemática, que são: o reforço da percepção de ser um bom ou mau aluno de acordo com o rendimento acadêmico; a reprodução na forma de crenças de que a aptidão matemática é inata e que a matemática é exata; a associação de questões emocionais a situação adversas durante os estudos da matemática; o consenso entre os respondentes de que a repetição de exercícios é a forma mais eficaz de aprendizado em temas que envolvem a matemática; o entendimento de que as atuações profissionais futuras, bem como as possibilidades de escolhas de carreira, são limitadas pelo rendimento pregresso em matemática, e outras disciplinas; e uma falta de consenso sobre o curso de administração ser restrito ao desenvolvimento de capacidades instrumentais em detrimento do ato de pensar. O estudo dá subsídios para trabalhos futuros que buscarão formas de auxiliar os estudantes no processo de aprendizagem de conceitos matemáticos necessários para minimizar a ocorrência de erros conceituais em sua formação e, depois e como decorrência, em sua atuação profissional. Assim, quem sabe um dia, todos poderão amar matemática tanto quanto eu.

*Resumo fornecido pelo autor

Departamento:

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