Doutorado - Responsabilidade social corporativa e fundações empresariais no Brasil: estratégias de legitimação política das empresas

Tipo de evento: 
Defesa
Data e hora: 
26/04/2019 - 09:00 até 12:00

 

Juliana De Souza Bittar-Godinho

Doutorado - Responsabilidade social corporativa e fundações empresariais no Brasil: estratégias de legitimação política das empresas

Orientador:  Prof. Dr. Gilmar Masiero

Comissão:  Profs. Drs. Isabel Maria Estima Costa Lourenço, Cintia Rodrigues de Oliveira Medeiros e Mario Aquino Alves

Local: Sala 215, FEA-5

Resumo*

A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) pode ser vista como resultado de forças institucionais e políticas que influenciam a adoção de certas práticas pelas empresas na busca por legitimidade. Tais práticas incluem a colaboração com o Estado a partir de políticas já existentes, além de esforços da empresa para criar novas políticas. Empresas também colaboram com o Estado na sua capacidade administrativa e física para resolver problemas sociais. Isso pode ser feito por filantropia ou participação em programas governamentais ou pelo desenvolvimento de soluções inovadoras por parte da empresa (Zhao, 2012). O objetivo desta pesquisa é analisar como as empresas brasileiras utilizam a RSC em suas estratégias de legitimidade política e qual o papel desempenhado pelas fundações corporativas (FCs) nesse processo. Realizou-se uma análise qualitativa de conteúdo sobre as interações entre empresa-Estado a partir de 104 relatórios de sustentabilidade, no período entre 2015-2017, de empresas listadas na B3 em junho de 2017. A análise qualitativa foi realizada para identificar as interações empresa-Estado nos relatórios e para classificá-las em tipos de estratégias de legitimidade via RSC. Por análises de regressão, buscou-se evidenciar as diferenças na adoção de estratégias de legitimação política via RSC entre empresas que possuem fundação e aquelas que não possuem. Foram definidas as seguintes hipóteses: H1 – Empresas que possuem fundações corporativas exercem mais a RSC que cria novos arranjos políticos  do que as empresas que não possuem fundações corporativas; H2 – Empresas que possuem fundações corporativas exercem mais a RSC que cria novas capacidades para que o estado responda a questões socioambientais  do que as empresas que não possuem fundações corporativas; H3 – Empresas que possuem fundações colaboram de forma mais intensiva com organizações sem fins lucrativos do que aquelas que não possuem fundações. Os dados gerais (empresas com e sem FCs) mostram uma média maior de atividades de legitimidade política via RSC, classificadas como Estratégia: “Políticas existem, empresas usufruem”, indicando uma dependência das atividades de RSC às leis de incentivo e em conformidade com regulamentações em áreas como meio ambiente. Em relação às FCs, análises de regressão mostraram influência significativa das FCs nas estratégias de “Mudar arranjos políticos existentes” e “Fornecer inovação para a capacidade operacional e decisória do Estado”. Foram encontradas atividades na área de formulação de políticas públicas setoriais, de educação, além da participação das fundações na gestão pública, fornecendo novas soluções para problemas sociais em parceria com o Estado. Esta tese adiciona às abordagens de RSC política, um ator negligenciado nos estudos anteriores: as FCs. O principal mecanismo de seu papel político é a articulação que elas fazem entre Estado, sociedade, ONGs, etc. De contribuição gerencial, trazem a cidadania empresarial como resultado de articulação com diversos atores e compromisso de longo prazo. Para as políticas públicas, reforçam a necessidade do Estado para a RSC por meio das leis de incentivo. Mostram também o papel do Estado em assegurar um bom equilíbrio de poder entre os diversos atores sociais na formulação de políticas públicas.

*Fornecido pelo autor

Departamento:

Voltar para a página de eventos